Virtude Primeira: Caridade
Ando lendo já têm uns dias, a Biografia de Lahiri Mahasaya, escrita por um dos discípulos de Paramahansa Yogananda. À princípio me interessou pelo biografado, mas depois chamou-me a atenção o prefácio, onde narrava-se à imensa dedicação que o autor do livro doou às obras de benemerência, durante toda sua vida. Pensei: “Independente da biografia, devem haver palavras sábias nesse livro, porque quem dedica à vida à obras caritativas, sempre tem muita sabedoria para nos passar”. E então fui lendo, e confesso que a leitura foi um pouco cansativa porque o estilo do autor não combina muito com o meu, mas isso era o de menos. Não foi uma obra que eu lia como os livros de Vivekananda, por exemplo, que é tão cartesiano quanto eu. Mas é um livro riquíssimo de sabedoria, como eu suspeitei, e eu teria muitas coisas para destacar dele, e por hoje vou destacar essa parte que li agora à tarde, dele comentando a Bhagavad-Gita:
“Qualquer ação realizada para o prazer Divino é um YAJNA – um sacrifício. “BISARGAH KARMASAMGNITAH – o YAJNA realizado sacrificando os objetos a Deus é o verdadeiro KARMA”. Em palavras mais simples, tudo o que for feito para o prazer Divino e para o bem da humanidade é YAJNA – KARMA ou ação com sacrifício. O serviço à humanidade, a caridade, as orações sinceras e silenciosas, as austeridades e as práticas religiosas, são todas consideradas ações com sacrifício. A ação ou o trabalho altruístico e desinteressado é YAJNA; isto constitui a virtude humana universal. O sacrifício de si mesmo, por amor ao bem da humanidade, é o melhor YAJNA. A mais alta realização à qual o homem pode alcançar é produzida por esta forma de YAJNA. Por meio do YAJNA – KARMA também se agrada os deuses e eles concedem dádivas para o bem da humanidade. Deus e o homem, juntos, estão empenhados no bem – estar do mundo. Uma corrente de grande prosperidade começa a fluir no céu e na terra. Por isto, o bem último é conseguido realizando ações, sem ter nenhum apego a elas. A ação feita com desejo, sob o impulso do apego aos prazeres terrenos, torna a pessoa ligada a esse mundo, aumenta o sofrimento e a miséria, e faz perder a paz.”
Primeiro quero explicar o que é YAJNA. No próprio livro o autor coloca que YAJNA são “Sacrifícios rituais; oblações; ofertas de sacrifícios feitas no fogo; ação feita com espírito de sacrifício e dedicada à Deus”.
Depois de entendido o que é YAJNA, que conseguimos entender o quão belas e profundas são as palavras do autor. Ele deixa claro, nessa passagem, que o melhor sacrifício e o melhor ritual de adoração ou ação para Deus é aquela que se reflete na ação desinteressada visando o benefício da humanidade. E a frase em que ele fala sobre o Homem e Deus trabalhando juntos pelo bem comum, é… Linda! Poética, mística, real e profunda! E é realmente como ele diz… Se estamos concentrados em nos sacrificar pela matéria e pelos desejos materias que visam o interesse próprio, jamais temos a paz do dever espiritual cumprido. Nunca conseguimos nos satisfazer interiormente, e gastamos toda a vida buscando qualquer coisa que nos traga felicidade, sem jamais a encontrar mais além de alguns momentos tão efêmeros quanto um piscar de olhos. A verdadeira realização espiritual está em se doar desinteressadamente pelo bem comum, cumprindo o dever primordial de toda criatura, que é trabalhar junto à Deus. Como ele mesmo disse, é essa a essência da Bhagavad-Gita, e penso que toda ela se resumiria nessa máxima que ele expôs com tanta sabedoria. Lindo! O livro é um tesouro daqueles tão valiosos e por isso mesmo raros…





