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	<description>&#34;Ele duvidava muito por ser capaz de acreditar muito&#34;.</description>
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		<title>Sucesso e Fracasso</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Oct 2011 00:38:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/10/1102392540.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1310" title="1102392540" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/10/1102392540.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a>Há um tempo atrás estava lendo o lindíssimo livro &#8220;Luz do Mundo&#8221;, do espírito Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo Pereira Franco, quando me deparei com essa passagem, que segundo a autora, foi dita por Jesus:</p>
<p><em>&#8220;Meu Pai dispõe de recursos que nos escapam e como é o Autor de tudo e de todos, cumpra cada um irrestritamente com o seu dever, transferindo para Ele, o Senhor de todos nós, os resultados do nosso trabalho&#8221;.</em></p>
<p>Foi impossível não notar nas palavras escritas pela autora cristã, um trecho praticamente idêntico ao Bhagavad Gita, escritura sagrada do Hinduísmo. Nesta jóia da Espiritualidade indiana podemos ver esse trecho, onde Krishna diz a Arjuna:</p>
<p><em>&#8220;Aquele que executa seu dever sem apego, e entrega os resultados ao Deus Supremo, não se afeta pela ação pecaminosa, tal como a pétala da flor de lótus que nunca é tocada pela água&#8221;.</em></p>
<p>São muitas, muitas passagens na Bhagavad Gita que fala sobre executar o dever sem apego, entregando o resultado nas mãos de Deus, de tal forma que essa é, sem dúvidas, a mensagem mais marcante dessa escritura. Segundo Krishna, nessa outra passagem, é a essência da Yoga:</p>
<p><em>&#8220;Você tem o direito de cumprir seu dever prescrito, mas não aos frutos da ação. Nunca se considere a causa dos resultados de suas atitudes, nem jamais se apegue ao não cumprimento de seu dever. Seja firme no yoga, ó Arjuna! Execute seu dever e abandone todo apego por êxito ou fracasso. Semelhante estabilidade mental se chama yoga&#8221;.</em></p>
<p>Já escrevi sobre essa reflexão aqui algumas vezes, porque ela me parece a maior de todas as mensagens de caridade absoluta, existente na nossa História. Foi difícil até para os santos que viveram aqui, seguirem essa recomendação de Krishna, porque trabalhar como uma plena extensão de Deus no mundo é dificílimo, mais ainda quando estamos imersos na matéria. Como cumprir nossos diversos deveres do mundo sem esperar qualquer resultado das nossas ações? Como trabalhar, viver, interagir, amar e construir, sem esperar jamais que tudo isso resulte na satisfação dos nossos desejos? Como renunciar completamente à satisfação dos nossos desejos, mesmo os nobres e puros? Como ter a consciência plena de que, acima de qualquer desejo que possamos ter, está o Desejo Absoluto de Deus?</p>
<p>É muito difícil, porque se cumprimos um dever, se estamos imersos na realização de algo, se estamos nos dedicando, nos empenhando em uma tarefa, naturalmente nós desejamos que ela seja bem sucedida *segundo a forma como conseguimos entender o sucesso de algo*. É muito difícil para nós entendermos que, muitas vezes, o fracasso é o resultado que Deus deseja, porque ele será mais útil para nós ou para o contexto no qual vivemos, que a vitória. É muito difícil para nós abrirmos mão de um resultado sempre satisfatório das nossas ações, afinal, se trabalhamos é para dar certo, não é? Mas como podemos ter certeza que o nosso &#8220;dar certo&#8221; é o mesmo &#8220;dar certo&#8221; de Deus? Não podemos saber, porque <em>&#8220;Nosso Pai dispõe de recursos que nos escapam&#8221;</em>. Só o que podemos fazer é cumprirmos os nossos deveres, entregando sempre à Deus o resultado das nossas ações. Cabe à Ele guiar para o sucesso, e ele *sempre* guia para o sucesso, mesmo quando aos nossos olhos parece um fracasso.</p>
<p>A Ordem e a Harmonia sempre se fazem&#8230; Nós é que temos muito caos interior, e não conseguimos ver que Deus, haja o que houver, está no leme do Universo inteiro, fazendo tudo funcionar com perfeição. Não adianta chorarmos pelo aparente fracasso de algo, só adianta sermos firmes e jamais desistirmos do cumprimento dos nossos deveres, não importando se no fim, aparentemente deu tudo errado, tendo sempre a consciência de que, quando cumprimos com nosso dever, estaremos trabalhando para Deus, não para nós.</p>
<p>Muitas vezes nós não podemos saber porque algo pelo qual batalhamos tanto, deu &#8220;errado&#8221;, mas Ele sempre sabe&#8230;</p>
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		<title>Humildade X Baixa-Estima</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 14:25:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/04/madre_teresa_calcutah.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1306" title="madre_teresa_calcutah" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/04/madre_teresa_calcutah.jpg?w=225&#038;h=300" alt="" width="225" height="300" /></a>Há um tempo atrás eu comprei um livro que nas resenhas me chamou muito a atenção. Seria a publicação de várias cartas pessoais e íntimas de Madre Teresa de Calcutá. Eu adoro ler esse tipo de literatura, quando conseguimos sempre observar um grande ícone sob a sua própria ótica, despida dos louros que os títulos trazem. Numa biografia comum, geralmente é mostrado o ícone, mas numa autobiografia, ou em escritos pessoais, vemos muito mais que o ícone, vemos o ser-humano, o Filho de Deus por trás de toda a realização. Eu sou fascinada por leituras assim, porque aprendo sempre a respeitar muito mais a alma que se superou e se destacou em dedicação à Humanidade, não porque era mais Filho de Deus que qualquer um de nós, mas porque teve a coragem, a determinação e a entrega que nós não temos&#8230; Acima de serem ícones, são grandes exemplos de vida!</p>
<p>Mas fiquei um tempo, quase 2 anos sem terminar a leitura do livro. Não sei porque me desinteressei por ele na época. Lembro que parei de lê-lo para me concentrar numa biografia de Santa Clara, que se tornou um dos meus livros favoritos. Meu sonho era ter uma autobiografia de Santa Clara! Tantas atitudes que ela teve que para mim são mistérios insondáveis! Por que se auto-imolar sendo ela tão lúcida? Por que pedir esmolas, se Jesus &#8211; exemplo máximo &#8211; teve um ofício? Enfim, muitas perguntas que ficamos quando lemos biografias, por isso gosto tanto das autobiografias.</p>
<p>Mas isso fica para outra hora. Queria refletir sobre um trechinho do livro de Madre Teresa. O livro chama-se &#8220;Madre Teresa, venha, seja minha luz&#8221; e foi organizado por Brian Kolodiejchuk.</p>
<p><em>&#8220;Por que foi que tudo isso chegou à mim &#8211; a mais indigna das Suas criaturas &#8211; não sei &#8211; e tentei tantas vezes convencer Nosso Senhor a procurar outra alma, uma mais generosa &#8211; uma mais forte, mas Ele parece gostar da minha confusão, da minha fraqueza&#8221;. </em>(trecho de uma carta de Madre Teresa à Madre Gertrudes, Superiora do Convento onde ela vez seus votos na Índia)<em><br />
</em></p>
<p>Isso é algo que sempre me intriga quando leio relatos de santos, grande ícones de virtudes e pessoas que se destacaram por fazer o bem e amar. Todos sempre se acham as piores criaturas, as mais pecadoras e mais fracas. Fico tentando imaginar o quanto disso é humildade e o quanto é baixa-estima. Pode ser apenas uma humildade imensa, mas tem toda a cara de baixa-estima, e confunde à nós, reles mortais.</p>
<p>Jesus, até onde se tem notícia, foi o Ser mais humilde que pisou nesse mundo. E Ele verdadeiramente *é* humilde. O maior de todos, sem dúvidas. Mas não se tem notícia de Jesus ter se menosprezado, de ter-se rebaixado como o pior dentre os piores. Pelo contrário, Ele sempre se valorizou como Filho de Deus. Claro que ele não tinha mais os defeitos que todos nós &#8211; até os Santos &#8211; temos, mas se Ele veio até nós para nos servir de exemplo máximo, então por que nos ensinou à nos valorizarmos tal qual Ele se valorizava?</p>
<p>Muitas vezes ele reerguia os pecadores, e mostrava à eles o quanto eles tinham valor como Filhos de Deus, e que tinham que fazer juz à esse valor! Convidava os mais pecadores à obrar em nome de Deus, à se auto-respeitaram abandonando o crime e buscando uma vida digna. Tirou a prostituda de Magdala de uma vida regada à todo tipo de devassidão, e transformou-a num dos maiores exemplos de renúncia, caridade e superação que se tem notícias. Fez de Mateus, um cobrador de imposto desonesto, um dos evangelistas mais lidos de todos os tempos.</p>
<p>Ele não era só um Mestre perfeito, era também um Psicólogo Sublime, porque trazia as almas da escuridão total de si mesmas, para a busca incessante da sua Luz Íntima, onde o Pai brilha e reluz sempre. Ele nunca quis que nos rebaixássemos e desvalorizássemos, mas quis sim, que cientes dos nossos pecados, abríssemos mão da prática deles, passando a nos auto-respeitar como criaturas dignas de serem instrumentos de Deus no mundo, em vez de instrumentos do mal.</p>
<p>Claro que Madre Teresa era digna da tarefa que à ela foi confiada, tanto quanto todos nós somos dignos das pequeninas tarefas que Deus nos confia, mesmo a mais insignificante. Claro que Madre Teresa era forte, porque só uma alma forte como ela seria capaz de abrir mão de seu ego para se dedicar inteiramente à Humanidade simplesmente porque essa era a Vontade de Deus. Eu, por exemplo, tão cedo na minha evolução não serei capaz disso, porque ainda sou muito apegada à meus problemas, à meus sentimentos, dores, alegrias, desejos e sonhos. Minha força e dignidade está limitada à tarefas bem pequenininhas, cotidianas e mundanas, por isso mesmo que Ele não me chama ainda para cuidar da Humanidade, só da minha filha mesmo já tá bom. Ainda nem tô perto de abrir mão de mim, então imaginem que à começar por mim, há gente muito mais indigna e fraca que ela, portanto não é justo que ela pensasse isso de si mesma, que ela se desvalorizasse assim.</p>
<p>Aí que penso estar a pedra de toque entre a humildade e a baixa-estima. Ela era verdadeiramente humilde por reconhecer que toda a obra era de Deus, não dela. Que ela era apenas instrumento Dele, e nenhuma nesga de vaidade ou orgulho saía de suas palavras, todo o tempo ela era só um instrumento, por mais que ela precisasse se superar e se esforçar pessoalmente para que a obra tivesse andamento, nunca depositava em si os louros das vitórias. Todo o tempo era Deus atuando através dela. Agora penso que a baixa-estima vinha da sua desvalorização enquanto Filha de Deus, porque se Ele a estava utilizando como instrumento, era porque ela tinha condições para tal. Nós não somos objetos que Deus usa sem que tenhamos nenhuma participação nisso.</p>
<p>Se assim fosse, então para que nos esforçarmos tanto para evoluirmos, para melhorarmos, para nos tornarmos instrumentos mais capazes, mais hábeis, mais úteis. O mérito da obra é de Deus, mas o mérito do nosso aprimoramento é nosso. Se fôssemos meros objetos inúteis que Deus, em Sua misericórdia, desse alguma utilidade, então por que Ele não chama um egoísta total para obras como a de Madre Teresa? Porque o egoísta ainda não se aprimorou suficientemente para ser instrumento de Deus em tarefas que exigem desprendimento do ego. Deus chama o egoísta para outras tarefas.</p>
<p>Nossa utilidade para Deus e sua Obra está sempre de acordo com nossas conquistas, com nosso próprio mérito. Se Ele a chamou para realizar tal obra, claro que era porque ela tinha méritos e possibilidades, e ela devia se sentir feliz consigo mesma por isso, se amar e respeitar como uma criatura valorosa, sem nunca achar que a obra era sua, como os vaidosos e orgulhosos acham, mas ciente também de suas possibilidades, não só de suas fraquezas. Ela não era tão ruim como pensava, tanto que Deus, o único que pode nos ver com perfeição, a achou digna e pronta.</p>
<p>Temos que aprender a nos valorizar, sem pecarmos pelo orgulho e vaidade, como geralmente fazemos. Acho essa uma das tarefas íntimas mais difíceis de serem realizadas, porque temos o hábito de nos valorizarmos pelas nossas supostas realizações, não pelas nossas vitórias sobre nosso ego. Achamos que somos o máximo porque fazemos caridade, quando na verdade é Deus que nos aproveita para socorrer quem precisa. Nós não fazemos caridade, nós nos pré-dispomos à sermos instrumentos de Deus, e temos o dever de nos aprimorarmos cada vez mais, para que possamos ser melhores e mais capazes instrumentos.</p>
<p>E como nos aprimoramos? De muitas formas, mas uma das favoritas de Deus é o sofrimento. Por que o sofrimento? Porque é quando sofremos que conseguimos entender o sofrimento das outras pessoas. É quando sofremos que aprendemos a nos sensibilizar com o sofrimento dos outros. Antes de sofrermos, estamos sempre centrados em nós. Depois que sofremos, passamos a ver o sofrimento dos outros com mais compaixão, com mais empatia, e por isso mesmo ficamos mais *dispostos* à trabalhar junto com Deus para minorar as misérioas do mundo. Enquanto estamos distraídos com nossa felicidade e bem-estar, Deus tem dificuldades de nos sensibilizar para o trabalho de Amor e Misericórdia que há para fazer em toda a parte.</p>
<p>Temos muitos planos, muitos sonhos, muitas coisas à realizar por nós mesmos, e quanto mais felizes e vitoriosos no mundo, menos nos dispomos aos planos, sonhos e realizações de Deus. Por isso às vezes Ele nos faz sofrer e até nos tira tudo, para que paremos de nos distrair e aprendamos a valorizar o sofrimento dos outros e a termos disposição para minorá-los, tanto quanto desejamos que o nosso fosse minorado, quando foi a nossa vez de sofrer.</p>
<p>Madre Teresa, sem dúvidas, em algum momento de sua evolução, sofreu bastante (como acontece com todo mundo, mais cedo ou mais tarde), e agora veio ao mundo para se dispor totalmente à Deus afim de minorar o máximo que suas forças permitissem, o sofrimento dos mais sofredores. Ela já nasceu vitoriosa, já nasceu disposta à Deus e desapegada de seu ego. E certamente nessa vida ela se superou em forças e em possibilidades, porque precisou crescer e realizar mais superações no decorrer da realização da obra de Deus, e por isso, em próximas oportunidades, será ainda mais digna e mais capaz do que foi nessa vida.</p>
<p>E assim é com todos nós, desde os mais ególatras até os Santos. Todos somos instrumentos de Deus, mas depende de nós sermos cada vez melhores e mais capazes instrumentos, com humildade para reconhecer que a obra não nos pertence, mas com auto-amor e auto-respeito para reconhecermos nossa parecela de mérito, dignidade e vitória pessoal em tudo que Deus realiza através de nós.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Naturalmente&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Mar 2011 23:41:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Adorei essa frase de Allan Kardec contida no Livro dos Médiuns: &#8220;A Natureza é mais prudente do que os homens. A Providência, aliás, tem seus planos e a mais humilde criatura pode servir de instrumento aos Seus mais amplos desígnios (&#8230;)&#8221; Sim, a Natureza é mais prudente do que os homens, porque toda ela é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jyotiprema.wordpress.com&amp;blog=9050795&amp;post=1301&amp;subd=jyotiprema&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/03/sao_francisco_oracao_paz.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1302" title="sao_francisco_oracao_paz" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/03/sao_francisco_oracao_paz.jpg?w=167&#038;h=300" alt="" width="167" height="300" /></a>Adorei essa frase de Allan Kardec contida no Livro dos Médiuns:</p>
<p><em>&#8220;A Natureza é mais prudente do que os homens. A Providência, aliás, tem seus planos e a mais humilde criatura pode servir de instrumento aos Seus mais amplos desígnios (&#8230;)&#8221;</em></p>
<p>Sim, a Natureza é mais prudente do que os homens, porque toda ela é harmonia com Deus, enquanto nós estamos quase todo o tempo em harmonia com Maya, com a ilusão dos nossos sentidos. A Natureza não se ilude com as coisas do mundo, ela apenas cumpre seu dever, seu destino dentro da criação. Nós estamos sempre em busca de satisfazer nossos sentidos, nossas vontades e expectativas, e raramente estamos simplesmente à disposição de Deus para sermos seus instrumentos.</p>
<p>Na maioria das vezes sequer achamos que temos alguma chance de ajudar Deus, porque ou somos soberbos de orgulho e egoísmo, ou não damos valor à nós mesmos enquanto filhos de Deus que somos. Ou nos cremos grandes demais para perdermos tempo nos ocupando dos assuntos de Deus, já que temos tantos assuntos particulares precisando de nossa atenção, ou nos achamos tão pequenos e insignificantes, que nem cogitamos a possibilidade de Deus se servir de nós.</p>
<p>Mas Deus se serve, mesmo quando não queremos&#8230; Ele sempre se serve de nós, até mesmo dos nossos erros, para promover a harmonia e a ordem em toda a criação. Na verdade Ele tem recursos e meios que nos escapam, com os quais nem mesmo podemos imaginar. Ele sempre dá-nos chance, sempre se ocupa de nós, mesmo quando não queremos nos ocupar Dele ou quando nem queremos que Ele se aproxime. Somos seus instrumentos nos momentos mais diversos, e obramos por Seu intermédio sempre que é necessário. Às vezes nos damos conta disso, às vezes não&#8230;</p>
<p>E assim é com todos, por isso mesmo que não podemos dizer que determinada pessoa foi culpada disso ou daquilo de ruim que nos aconteceu, porque se aconteceu é porque, por algum motivo, ela foi intrumento de Deus para nos educar. A responsabilidade do ato dela recai apenas sobre ela, porque se fomos atingidos é porque um dia, num passado de erros e desenganos, plantamos aquela semente ruim que germinou pelas mãos de alguém que se fez instrumento das Leis de Deus.</p>
<p>E é justamente por isso que não temos motivos para nos ofender ou magoar quando nos atingem, apenas devemos abençoar e agradecer a Deus que Ele nos achou dignos de nos harmonizarmos com as Leis e fortes o suficiente para sofrermos as consequências de nossos erros pretéritos. Mas sim, mesmo assim é difícil trazer esse conceito para nosso emocional e vivenciá-lo em plenitude. Volta e meia estamos nos ofendendo, magoando, tendo dificuldades para perdoar. É nessa hora que temos que ter paciência conosco também, lutando para não nos acomodarmos aos sentimentos ilusórios do nosso ego, mas sem nos exigir pressa demais, porque como diz o conceito da frase de Kardec, tudo que é Natural é mais sábio, e isso inclui nosso tempo íntimo de absorver emocionalmente os conceitos que já vislumbamos no intelectual.</p>
<p>Geralmente quando nos obrigamos a sentir o que naturalmente ainda não conseguimos, estamos nos agredindo e desejando sermos mais fortes que a nossa Natureza. Não nos respeitamos e nem nos damos a chance de sermos o que somos: seres em crescimento, em constante evolução, imperfeitos e ignorantes de muita coisa. Quando nos forçamos a um modelo idealizado de &#8220;moralmente ideal&#8221;, na maioria das vezes apenas nos tornamos hipócritas e mascarados. Quando finalmente o conceito for absorvido naturalmente por nós (o que pode demorar várias vidas), nós sentimos a paz daqueles que não sentem necessidade alguma de se auto-imolar, pois que estão em harmonia com Deus, e isso também significa se amar e se respeitar inclusive como um imperfeito Filho de Deus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Reino de Deus em Nós</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2011 01:53:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Evangelho]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[Ando refletindo muito sobre uma passagem do livro &#8220;Luz do Mundo&#8221; de Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo P. Franco. A passagem é a seguinte: &#8221; &#8211; O Reino de Deus &#8211; concluiu o Mestre &#8211; está dentro de cada um que o deseje. Não é trabalho externo, antes resultado do excelente labor anônimo e sacrificial [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jyotiprema.wordpress.com&amp;blog=9050795&amp;post=1291&amp;subd=jyotiprema&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/03/paz2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1292" title="paz2" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/03/paz2.jpg?w=227&#038;h=300" alt="" width="227" height="300" /></a>Ando refletindo muito sobre uma passagem do livro &#8220;Luz do Mundo&#8221; de Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo P. Franco. A passagem é a seguinte:</p>
<p><em>&#8221; &#8211; O Reino de Deus &#8211; concluiu o Mestre &#8211; está dentro de cada um que o deseje. Não é trabalho externo, antes resultado do excelente labor anônimo e sacrificial nas noites de silêncio, nos dias de angústia e dor libertadora. Ninguém o verá, e esse herói, aquele que o conseguir realizar, não receberá aplauso, passando entre os homens desconsiderado, incompreendido, malsinado, todavia em paz consigo mesmo e em harmonia com Deus&#8230;&#8221;.</em></p>
<p>Achei tão perfeita essa colocação! De uma sabedoria e profundidade tão grande! Geralmente temos a ilusão de que aqueles que se destacam no trabalho externo é que estão caminhando no Reino de Deus&#8230; Mas quem pode julgar o íntimo das pessoas? Até que ponto o trabalho externo é resultado do amor? Quem pode julgar se uma pessoa que se destaca entre as demais no labor evangélico, vive intimamente tal qual um verdadeiro seguidor do Cristo? Ninguém pode julgar isso além de Deus&#8230;</p>
<p>Muitas vezes aqueles que se destacam menos são justo os que mais paz íntima possuem. Muitas vezes alguém que sequer faz algum trabalho evangélico, está mais em harmonia consigo mesmo e com Deus do que um que se diz cristão. E isso nem é raro. Achei interessante a observação da passagem quando destaca-se que o Reino de Deus é conquista íntima, não externa. Que conquistamos o Reino de Deus após laboriar muito dentro de nós mesmos, de sofrermos todas as dores do autoconhecimento e auto-burilamento. É também sofrendo as consequências dos nossos atos, nos reajustando diante das Leis de Deus, e encontrando assim a paz da consciência livre.</p>
<p>Dói&#8230; Dói muito encontrar dentro de nós o Reino de Deus. É preciso dores atrozes, solidões escuras onde apenas o Mestre nos acompanha, para que reconheçamos Seu Augusto Amor, e solidifiquemos a nossa Fé e União com Ele. É na dor soberana que encontramos o Reino de Deus, aquele lugar indubitavelmente seguro dentro de nós, onde encontramos a paz. Uma paz que é só nossa, fruto da libertação da consciência e da reconquista de si mesmo. Uma paz que não foi dada, que não foi encontrada em templos, livros ou teorias, mas conquistada à custa de muito sofrimento, das provações mais singulares e penosas, de ter a alma inteira destruída e refeita. A força que vem dessa paz é inabalável, porque é resultado da união definitiva entre criatura e Criador. Haja o que houver, o Reino de Deus está estabelecido no nosso coração, e a Paz reina mesmo na tempestade&#8230;</p>
<p>Tal qual uma frase que li uma vez no livro &#8220;Paulo e Estevão&#8221;, numa ocasião em que Paulo é apedrejado sentindo aquela paz angélica e confiança irrestrita em Deus. Achei-a perfeita para descrever o encontro com o Reino de Deus:<em> &#8220;Na prova rude e dolorosa, compreendeu, alegremente, que havia atingido a região de paz divina, no mundo interior, que Deus concede a seus filhos depois das lutas acerbas e incessantes, por eles mantidas na conquista de si mesmos&#8221;.</em></p>
<p>Tem um momento da luta que os golpes já não surtem mais efeito, não porque não doam, mas porque estamos em paz. A segurança do Reino de Deus não nos permite temer ou revoltar, só nos permite confiar e prosseguir com Deus.</p>
<p>Penso que o trabalho externo acaba sendo consequência dessa conquista, não meio de conquistar. Há muitos de nós que buscam o trabalho externo afim de conquistar o Reino de Deus pelo &#8220;meio mais fácil&#8221;, mas com o passar dos anos, as experiências da vida vão nos ensinando que o meio mais fácil é aquele que julgamos mais difícil&#8230;</p>
<p>Não sou defensora do sofrimento, mas tenho que admitir que ele é um meio muito eficaz para encontrarmos Deus e a paz&#8230; Tenho que admitir a sabedoria de Deus ao permitir nosso sofrimento em determinado ponto da caminhada afim de nos conduzir à Seu Reino. Um sofrimento que só existe até que O encontremos dentro de nós&#8230; Depois que encontramos o Reino de Deus, não somos mais capazes de sofrer as dores que nos levaram àquele ponto de Encontro, justamente porque O encontramos. Os sofrimentos se modificam, mas todos são enfrentados com Paz e Harmonia com Deus.</p>
<p>Por tudo isso ando pensando muito naquela passagem&#8230; Na ilusão que temos de ver o exterior e julgar coisas e situações que apenas Deus é capaz de julgar. Nem sempre o exterior é reflexo do interior, e nem sempre alguém que prega a paz vive em paz. Da mesma forma que nem sempre aquele que julgamos o último, está perdido&#8230; Talvez estejamos mais perdidos que ele no fim&#8230;</p>
<p>Isso foi só uma breve reflexão pessoal, portanto desculpem se o texto estiver um tanto reflexivo demais e com lógica de menos&#8230; :)</p>
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		<title>Escolhendo Deus</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Feb 2011 13:05:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando venho para o trabalho todos os dias passo por baixo de um viaduto onde há uma frase pichada: &#8220;Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos&#8221;. Isso me fez refletir na cultura religiosa que há sobre &#8220;as escolhas de Deus&#8221; por determinados filhos. Em muitos lugares vemos expresso essa idéia de que Deus, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jyotiprema.wordpress.com&amp;blog=9050795&amp;post=1287&amp;subd=jyotiprema&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/02/jesus-e-as-ovelhas.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1288" title="JESUS E AS OVELHAS" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2011/02/jesus-e-as-ovelhas.jpg?w=207&#038;h=300" alt="" width="207" height="300" /></a>Quando venho para o trabalho todos os dias passo por baixo de um viaduto onde há uma frase pichada: <em>&#8220;Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos&#8221;</em>. Isso me fez refletir na cultura religiosa que há sobre &#8220;as escolhas de Deus&#8221; por determinados filhos. Em muitos lugares vemos expresso essa idéia de que Deus, por algum motivo, escolhe esses ou aqueles filhos para receberem bênçãos que à outros são negadas.</p>
<p>E se ollharmos de forma superficial para a Vida, podemos até ter a impressão de que esse pensamento é válido, mas se aprofundarmos nosso olhar, veremos que não, que Deus não escolhe seus melhores ou piores filhos, que Ele não é parcial ou mais ou menos para uns ou para outros. Que Deus Ele seria se escolhesse filhos? Que Pai Ele seria se desse à uns bênçãos e à outros não desse nada?</p>
<p>Penso que a forma aparentemente injusta ou parcial como recebemos as bênçãos de Deus está *em nós* e não Nele. Penso que todos somos escolhidos, porém nem todos aceitamos ir com Ele no mesmo tempo. Cada um tem seu tempo, e mesmo para aqueles que ainda não *se escolheram*, Deus dá muitas bênçãos, constantes convites, infinitas oportunidades e uma paciência sem fim.</p>
<p>Como na parábola do Filho Pródigo às vezes achamos injusta a forma como Deus lida conosco, como quando o filho bom da parábola acha injusto quando aparentemente Deus dá ao filho transviado mais do que è ele  que já estava à Seu lado. Quem escolhe estar com Deus é abençoado todos os dias, e sua vida é tão cheia de bênçãos (espirituais, íntimas, não necessariamente materiais, como muitos de nós ainda confundimos) que as bênçãos passam a ser o natural, o cotidiano, não mais um evento especial. Elas fazem tão parte da nossa vida íntima, que ao vermos alguém que nada tinha e recebe um pouco, pensamos como o filho da parábola, que Deus está dando mais à uns que à outros, ou que está dando mais à quem nem merece, e momentaneamente nos cegamos às bênçãos sem fim que recebemos todos os dias e já fazem parte de nossa alma.</p>
<p>Mas não é assim&#8230; Deus dá igualmente à todos, mas nós temos que aprender a receber, nós temos que nos esforçar diária e constantemente para estarmos sempre com Ele, todo o tempo recebendo suas bênçãos e seu Infinito Amor. Somos sempre nós que bloqueamos o acesso à Ele, nunca o contrário. Na verdade Deus tenta todo o tempo, das formas mais diversas, abrir passagem até nosso coração. Às vezes Ele é direto, geralmente quando estamos tão caídos que nossa soberba já não vale nada e então, no auge do sofrimento buscamos Ele e Ele nos responde. Às vezes Ele é discreto justamente para não ferir nosso orgulho, que inflado, nos faz achar que todo nosso sucesso e sorte são frutos apenas de nossa capacidade e astúcia. Ele deixa que aprendamos por nós mesmos que sem Ele nada somos. Deixa que, cansados dos sofrimentos decorrentes das consequências de nossas próprias escolhas, nós O busquemos definitivamente, e é nisso que reside nosso maior mérito.</p>
<p>Portanto, Deus não escolhe seus filhos, somos para Ele tão amados e importantes como os Anjos já Iluminados. Somos para Ele os mesmos amaríssimos filhos desde a criação até a eternidade. Todos nós, sem excessões, somos abençoados todos os dias, embora nem sempre possamos compreender as bênçãos que recebemos. Nós que decidimos o dia que O escolheremos como Guia, como Companhia constante, como Inspiração, Motivação, Meta, Esperança, Amigo e Pai&#8230;</p>
<p>Cabe à nós aceitarmos seus inúmeros e constantes convites, cabe à nós aceitarmos enfim, sentimos Seu Imenso e Infinito Amor por nós&#8230;</p>
<p>Ele já É nosso Pai,  nós é estamos aprendendo a sermos Seus filhos&#8230;</p>
<br />Filed under: <a href='http://jyotiprema.wordpress.com/category/deus/'>Deus</a>, <a href='http://jyotiprema.wordpress.com/category/reflexao/'>Reflexão</a>, <a href='http://jyotiprema.wordpress.com/category/religiao/'>Religião</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jyotiprema.wordpress.com/1287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jyotiprema.wordpress.com/1287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jyotiprema.wordpress.com/1287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jyotiprema.wordpress.com/1287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jyotiprema.wordpress.com/1287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jyotiprema.wordpress.com/1287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jyotiprema.wordpress.com/1287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jyotiprema.wordpress.com/1287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jyotiprema.wordpress.com/1287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jyotiprema.wordpress.com/1287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jyotiprema.wordpress.com/1287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jyotiprema.wordpress.com/1287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jyotiprema.wordpress.com/1287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jyotiprema.wordpress.com/1287/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jyotiprema.wordpress.com&amp;blog=9050795&amp;post=1287&amp;subd=jyotiprema&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Amar os Inimigos, por Martin Luther King Jr.</title>
		<link>http://jyotiprema.wordpress.com/2010/12/13/amar-os-inimigos-por-martin-luther-king-jr/</link>
		<comments>http://jyotiprema.wordpress.com/2010/12/13/amar-os-inimigos-por-martin-luther-king-jr/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 18:03:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Evangelho]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Luther King Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Satyagraha]]></category>

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		<description><![CDATA[Martin Luther King Jr., um Satyagrahi autêntico, sem dúvidas! Acho que nunca tinha lido um texto tão perfeito e completo sobre o tema &#8220;amar os inimigos&#8221;. Depois de ler esse texto, estou até em estado de êxtase! Primoroso! Se Martin Luther King Jr. tivesse nascido na Índia, teria sido um Mahatma também! Amar os Inimigos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jyotiprema.wordpress.com&amp;blog=9050795&amp;post=1280&amp;subd=jyotiprema&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/12/king.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1281" title="king" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/12/king.jpg?w=214&#038;h=300" alt="" width="214" height="300" /></a>Martin Luther King Jr., um Satyagrahi autêntico, sem dúvidas! Acho que nunca tinha lido um texto tão perfeito e completo sobre o tema &#8220;amar os inimigos&#8221;. Depois de ler esse texto, estou até em estado de êxtase! Primoroso! Se Martin Luther King Jr. tivesse nascido na Índia, teria sido um Mahatma também!</p>
<p><span style="text-decoration:underline;color:#ff9900;"><strong>Amar os Inimigos</strong></span></p>
<p><strong><em>Martin Luther King, Jr.</em></strong></p>
<p><em>Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.</em></p>
<p><em>Mateus 5.43-48</em></p>
<p>Talvez nenhum ensinamento de Jesus seja, hoje, tão difícil de ser seguido como este mandamento do &#8220;amai os vossos inimigos&#8221;. Há mesmo quem sinceramente julgue impossível colocá-lo em prática. Consideramos fácil amar quem nos ama, mas nunca aqueles que abertamente e insidiosamente procuram prejudicar-nos. Outros ainda, como o filósofo Nietzsche, sustentam que a exortação de Jesus para amarmos os nossos inimigos prova que a ética cristã se destina somente aos fracos e aos covardes, e nunca se pode aplicar aos corajosos e aos fortes. Jesus – dizem eles – era um idealista sem sentido prático.</p>
<p>Apesar dessas dúvidas prementes e persistentes objeções, o mandamento de Jesus desafia-nos hoje com nova urgência.</p>
<p>Insurreições sobre insurreições demonstram que o homem moderno caminha ao longo de uma estrada semeada de ódios, que fatalmente o conduzirão à destruição e à condenação. O mandamento para amarmos os nossos inimigos, longe de ser uma piedosa imposição de um sonhador utópico, é uma necessidade absoluta para podermos sobreviver. O amor pelos inimigos é a chave para a solução dos problemas do nosso mundo. Jesus não é um idealista sem sentido prático; é um realista prático.</p>
<p>Estou certo de que Jesus compreendeu a dificuldade inerente ao ato de amar os nossos inimigos. Nunca pertenceu ao número dos que falam fluentemente sobre a simplicidade da vida moral. Sabia que toda a verdadeira expressão de amor nasce de uma firme e total entrega a Deus. Quando Jesus diz: &#8220;Amai os vossos inimigos&#8221;, não ignora a dificuldade dessa imposição e conhece bem o significado de cada uma das suas palavras. A responsabilidade que nos cabe como cristãos é a de descobrir o significado desse mandamento e procurar apaixonadamente vivê-lo toda a nossa vida.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;color:#ff9900;"><strong>Como Amar os inimigos?</strong></span></p>
<p>Agora sejamos práticos e formulemos a pergunta: Como devemos nós amar os nossos inimigos?</p>
<p>Temos, primeiro, de desenvolver e manter a capacidade de perdoar. Aquele que não perdoa, não pode amar. É mesmo impossível iniciar o gesto de amar o inimigo sem a prévia aceitação da necessidade de perdoar sempre a quem nos faz mal ou nos injuria. Também é preciso compreender que o ato do perdão deve partir sempre de quem foi insultado, da vítima gravemente injuriada, daquele que sofreu tortuosa injustiça ou ato de terrível opressão. É quem faz o mal que requer o perdão. Deve arrepender-se e, como o filho pródigo, retomar o caminho do regresso de coração ansioso pelo perdão. Mas só o ofendido, seu próximo, pode realmente derramar as águas consoladoras do perdão.</p>
<p>O perdão não significa ignorância do que foi feito ou imposição de um rótulo falso em uma má ação. Deve significar, pelo contrário, que a má ação deixe de ser uma barreira entre as relações mútuas. O perdão é o catalisador que cria a atmosfera necessária para de novo partir e recomeçar; é alijar um fardo ou cancelar uma dívida. As palavras &#8220;perdôo-te, mas não esqueço o que fizeste&#8221; não traduzem a natureza real do perdão. Nunca ninguém, decerto, esquece, se isso significar varrer totalmente o assunto do espírito; mas quando perdoamos, esquecemos, no sentido em que a má ação deixa de constituir um impedimento para estabelecer relações. Da mesma maneira, nunca devemos dizer: &#8220;Perdôo-te, mas já não quero nada contigo&#8221;. Perdão significa reconciliação, um regresso a uma posição anterior; sem isso, ninguém pode amar os seus inimigos. O grau da capacidade de perdoar determina o da capacidade de amar os inimigos.</p>
<p>Em segundo lugar, temos de reconhecer que a má ação de um nosso próximo, inimigo, – ou seja, aquilo que magoa, – nunca exprime a sua completa maneira de ser. É sempre possível descobrir um elemento de bondade no nosso inimigo. Existe algo de esquizofrênico em cada um de nós, que divide tragicamente a nossa própria personalidade, e trava-se uma persistente guerra civil dentro das nossas vidas. Há em nós alguma coisa que nos obriga a lamentarmo-nos com o poeta latino Ovídio: &#8220;Vejo e aprovo o que é melhor, mas sigo o que é pior&#8221;, e ou como Platão, que comparava a pessoa humana a um cocheiro que guiasse dois cavalos possantes, e cada um deles puxasse o carro em direções opostas. Também podemos repetir o que disse o Apóstolo Paulo: &#8220;Pois não faço o que prefiro e sim o que detesto&#8221;.</p>
<p>Isso significa muito simplesmente que naquilo que temos de pior há sempre algo de bom, assim como no melhor existe algo de mau. Quando percebemos isso, sentimo-nos menos prontos a odiar os nossos inimigos. E quando olhamos para além da superfície ou para além do gesto impulsivo de maldade, descobrimos em nosso próximo um certo grau de bondade, e percebemos que o vício e a maldade dos seus atos não traduzem inteiramente aquilo que ele de fato é. Observamo-lo a uma nova luz. Reconhecemos que o seu ódio foi criado pelo medo, orgulho, ignorância, preconceito ou mal-entendido, mas vemos também que, apesar disso tudo, a imagem de Deus se mantém inefavelmente gravada no seu ser. Amamos os nossos inimigos porque sabemos então que eles não são completamente maus, nem estão fora do alcance do amor redentor de Deus.</p>
<p>Em terceiro lugar, não devemos procurar derrotar ou humilhar o inimigo, mas antes granjear a sua amizade e a sua compreensão. Somos capazes, por vezes, de humilhar o nosso maior inimigo: há sempre, inevitavelmente, um momento de fraqueza em que podemos enterrar no seu flanco a lança vitoriosa, mas nunca deveremos fazê-lo. Todas as palavras ou gestos devem contribuir para um entendimento com o inimigo e para abrir os vastos reservatórios onde a boa vontade está retida pelas paredes impenetráveis do ódio.</p>
<p>Não devemos confundir o significado do amor com desabafo sentimental; o amor é algo de mais profundo do que verbosidade emocional. Talvez que o idioma grego nos possa esclarecer sobre este ponto. O Novo Testamento foi escrito em grego; e em sua versão original há três palavras que definem o amor. A palavra eros traduz uma espécie de amor estético ou romântico. Nos diálogos de Platão, eros significa um anseio a alma dirigido à esfera divina. A segunda palavra é philia, amor recíproco e afeição íntima, ou amizade entre amigos. Amamos aqueles de quem gostamos e amamos porque somos amados. A terceira palavra é ágape, boa vontade, compreensiva e criadora, redentora para com todos os homens. Amor transbordante que nada espera em troca, ágape é o amor de Deus agindo no coração do homem. Nesse nível, não amamos os homens porque gostamos deles, nem porque os seus caminhos nos atraem, nem mesmo porque possuem qualquer centelha divina: nós os amamos porque Deus os ama. Nessa medida, amamos a pessoa que pratica a má ação, embora detestemos a ação que ela praticou.</p>
<p>Podemos compreender agora o que Jesus pretendia quando disse: &#8220;Amai os vossos inimigos&#8221;. Deveríamos sentir-nos felizes por Ele não ter dito: &#8220;Gostai dos vossos inimigos&#8221;. É quase impossível gostar de certas pessoas; &#8220;gostar&#8221; é uma palavra sentimental e afetuosa. Como podemos sentir afeição por alguém cujo intento inconfessado é esmagar-nos ou colocar inúmeros e perigosos obstáculos em nosso caminho? Como podemos gostar de quem ameaça os nossos filhos ou assalta as nossas casas? É completamente impossível. Jesus reconhecia, porém, que o amar era mais do que o gostar. Quando Jesus nos convida a amar os nossos inimigos, não é ao eros nem à philia que se refere, mas ao ágape, compreensiva e fecunda boa vontade redentora para com todos os homens. Só quando seguimos esse caminho e correspondemos a esse tipo de amor, ficamos aptos a ser filhos do nosso Pai que está nos céus.<br />
<span style="text-decoration:underline;color:#ff9900;"><strong>POR QUE Amar os Inimigos?</strong></span></p>
<p>Saltemos agora do prático como para o teórico porquê.</p>
<p>Por que devemos amar os nossos inimigos? A principal razão é perfeitamente óbvia: retribuir o ódio com o ódio multiplica o ódio e aumenta a escuridão de uma noite já sem estrelas. A escuridão não expulsa a escuridão, só a luz o pode fazer. O ódio não expulsa o ódio: só o amor o pode fazer. O ódio multiplica o ódio, a violência multiplica a violência e a dureza multiplica a dureza, numa espiral descendente que termina na destruição. Quando, pois, Jesus diz: &#8220;amai os vossos inimigos&#8221;, é uma advertência profunda e decisiva que pronuncia. Não chegamos nós, em nosso mundo moderno, a uma encruzilhada onde nada mais resta do que amar os nossos inimigos? A cadeia de reação ao mal, – ódios provocando ódios, guerras gerando guerras – tem de acabar, sob pena de sermos todos precipitados no abismo sombrio do aniquilamento.</p>
<p>Outro motivo por que devemos amar os nossos inimigos são as cicatrizes que o ódio deixa nas almas e a deformação que provoca na nossa personalidade. Conscientes de que o ódio é um mal e uma força perigosa, pensamos muitas vezes nos efeitos que exerce sobre a pessoa odiada e nos irreparáveis danos que causa nas suas vítimas. Podemos avaliar as suas terríveis conseqüências na morte de seis milhões de judeus, ordenada por um louco obcecado pelo ódio, cujo nome era Hitler; na inqualificável violência exercida por turbas sanguinárias sobre os negros, ou ainda nas terríveis indignidades e injustiças perpetradas contra milhões de filhos de Deus por opressores sem consciência.</p>
<p>Mas há ainda outro aspecto que não podemos omitir. O ódio é também prejudicial para a pessoa que odeia. É como um cancro incurável que corrói a personalidade e lhe desfaz a unidade vital. O ódio destrói no homem o sentido dos valores e a sua objetividade. Faz com que ele considere bonito o que é feio ou feio o que é bonito, confunda o verdadeiro com o falso, ou vice-versa.</p>
<p>O Dr. E. Franklin Frazier, no seu interessante ensaio &#8220;The Pathology of Race Prejudice&#8221; cita vários exemplos de pessoas brancas normais, simpáticas e acessíveis no seu trato do dia-a-dia com outros brancos, e que reagem com inconcebível irracionalidade e anormal descontrole quando alguém alude à igualdade dos negros, ou ao problema da injustiça racial. Ora, isso acontece quando o ódio invadiu o nosso espírito. Os psiquiatras afirmam que muitas coisas estranhas passadas em nosso subconsciente e grande parte dos nossos conflitos íntimos são criados pelo ódio. Dizem eles: &#8220;ama ou morrerás&#8221;. A psicologia moderna reconhece a doutrina que Jesus ensinou há muitos séculos: o ódio divide a personalidade, e o amor, de maneira espantosa e inexorável, restabelece-lhe a unidade.</p>
<p>Um terceiro motivo por que devemos amar os nossos inimigos é que o amor é a única força capaz de transformar o inimigo em um amigo. Nunca nos livraremos de um inimigo opondo o ódio ao ódio – só o conseguiremos, libertando-nos da inimizade. O ódio, pela sua própria natureza, destrói e dilacera; e também pela sua própria natureza, o amor é criador e construtivo: a sua força redentora transforma tudo.</p>
<p>Lincoln experimentou o caminho do amor e legou à História um drama magnífico de reconciliação. Quando da sua campanha eleitoral para Presidente, um dos seus mais acérrimos inimigos era um homem chamado Stanton que, por qualquer razão, odiava Lincoln. Todas as suas energias eram empregadas para o diminuir aos olhos do público e tamanho era o ódio que sentia, que chegava a usar expressões injuriosas sobre o seu aspecto físico, procurando ao mesmo tempo embaraçá-lo com as mais azedas diatribes. Mas, apesar de tudo, Lincoln foi eleito Presidente dos Estados Unidos. Chegou então a hora de constituir o seu gabinete e nomear as pessoas que, mais de perto, teriam de participar na elaboração do seu programa. Começou por escolher um ou outro para as diversas pastas e, por fim, foi preciso preencher a mais importante, que era a da Guerra. Imaginai agora quem ele foi buscar: nada menos do que o tal homem chamado Stanton. Houve imediatamente grande agitação lá dentro quando a notícia começou a espalhar-se, e vários conselheiros vieram dizer-lhe: &#8220;O Senhor Presidente está laborando num grande erro. Sabe quem é esse Stanton? Está lembrado do que ele disse a seu respeito? Olhe que ele é seu inimigo e vai tentar sabotar a sua política. Pensou bem no que vai fazer?&#8221; A resposta de Lincoln foi nítida e concisa: &#8220;Sei muito bem quem é Stanton, e as coisas desagradáveis que tem dito de mim. Considerando, porém, o interesse da nação, julgo ser o homem indicado para este cargo&#8221;. Foi assim que Stanton se tornou Secretário da Guerra do governo de Abraão Lincoln e prestou inestimáveis serviços ao país e ao seu Presidente. Alguns anos mais tarde, Lincoln foi assassinado e grandes elogios lhe foram feitos. Ainda hoje milhões de pessoas o veneram como a maior homem da América. H. G. Wells considerava-o um dos seis maiores vultos da História. Mas de todos os elogios que lhe fizeram, os maiores são constituídos, decerto, pelas palavras de Stanton. Junto do corpo do homem que ele odiara, Stanton a ele se referiu como um dos maiores homens que jamais tivesse existido, e acrescentou: &#8220;agora pertence à História&#8221;. Se Lincoln tivesse retribuído o ódio com ódio, ambos teriam ido para a sepultura como inimigos implacáveis, mas, pelo amor, Lincoln transformou um inimigo num amigo. Foi essa mesma atitude que tornou possível, durante a Guerra Civil – e quando os ânimos estavam mais azedos – uma palavra sua a favor do Sul. Abordado então por uma assistente escandalizada, Lincoln retorquiu: &#8220;Minha Senhora, não será fazendo deles meus amigos que destruirei os meus inimigos?&#8221; Este é o poder do amor que redime.</p>
<p>Apressemo-nos a dizer que não são esses os supremos motivos para amar os nossos inimigos. Há uma outra razão muito mais profunda para explicar por que somos intimados a fazê-lo e essa está claramente expressa nas palavras de Jesus: &#8220;Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste&#8221;. Somos chamados para essa difícil incumbência com o fim de realizarmos um parentesco único com Deus. Somos, em potência, filhos de Deus e, através do amor, essa potencialidade torna-se realidade. Temos a obrigação de amar os nossos inimigos, porque somente amando-os podemos conhecer Deus e experimentar a beleza da Sua santidade.</p>
<p>É claro que nada disso é prático. A vida é uma questão de desforra, de desagravo, de &#8220;quem mais faz paga mais&#8221;. Quererei eu dizer que Jesus nos manda amar quem nos magoa e oprime? Não serei eu como a maioria dos pregadores idealista e pouco prático? Talvez que numa utopia distante – direis vós – a idéia possa ser realizável, mas nunca neste mundo duro e hostil em que vivemos.</p>
<p>Queridos amigos, seguimos já há muito esses caminhos que consideramos práticos e que nos conduzem inexoravelmente a uma confusão e a um caos cada vez maiores. Vêem-se, acumuladas através dos séculos, as ruínas das comunidades que sucumbiram à tentação do ódio e da violência. Para salvar o nosso país e para salvar a humanidade, temos de seguir outro caminho. Isso não significa o abandono dos nossos retos esforços; devemos continuar a empregar toda a energia para libertarmos este país do pesadelo da injustiça social. Mas nesta emergência nunca podemos esquecer o nosso privilégio e a nossa obrigação de amar. Ao mesmo tempo em que detestamos a injustiça social, devemos amar os que praticam tais injustiças. Será a única forma de criar uma comunidade de amor.</p>
<p>Aos nossos mais implacáveis adversários, diremos: &#8220;Corresponderemos à vossa capacidade de nos fazer sofrer com a nossa capacidade de suportar o sofrimento. Iremos ao encontro da vossa força física com a nossa força do espírito. Fazei-nos o que quiserdes e continuaremos a amar-vos. O que não podemos, em boa consciência, é acatar as vossas leis injustas, pois tal como temos obrigação moral de cooperar com o bem, também temos a de não cooperar com o mal. Podeis prender-nos e amar-vos-emos ainda. Assaltais as nossas casas e ameaçais os nossos filhos, e continuaremos a amar-vos. Enviais os vossos embuçados perpetradores da violência para espancar a nossa comunidade quando chega a meia-noite, e, quase mortos, amar-vos-emos ainda. Tendes, porém, a certeza de que acabareis por ser vencidos pela nossa capacidade de sofrimento. E quando um dia alcançarmos a vitória, ela não será só para nós; tanto apelaremos para a vossa consciência e para o vosso coração que vos conquistaremos também, e a nossa vitória será dupla vitória&#8221;. O amor é a força mais perdurável do mundo. Este poder criador, tão belamente exemplificado na vida de nosso Senhor Jesus Cristo, é o instrumento mais poderoso e eficaz para a paz e a segurança da humanidade. Diz-se que Napoleão Bonaparte, o grande gênio militar, recordando a sua anterior época e conquistas, teria observado: &#8220;Tanto Alexandre como César, Carlos Magno ou eu próprio, criamos grandes impérios. Mas onde se apoiaram eles? Unicamente na força. Jesus, há séculos, iniciou a construção de um império fundado no amor, e vemos hoje ainda milhões de pessoas que morrem por Ele&#8221;. Ninguém pode duvidar da veracidade dessas palavras. Os grandes chefes militares do passado desapareceram, os seus impérios ruíram e desfizeram-se em cinza; mas o império de Jesus, edificado solidamente e majestosamente nos alicerces do amor, continua a progredir. Começou por um punhado de homens dedicados que, inspirados pelo Senhor, conseguiram abalar as muralhas do Império Romano e levar o Evangelho ao mundo todo. Hoje, o reino de Cristo na terra compreende mais de um bilhão de pessoas e reúne todas as nações ou tribos. Ouvimos hoje de novo a promessa de vitória:</p>
<p><em>Jesus há de reinar enquanto o sol</em></p>
<p><em> fizer sua viagem cada dia;</em></p>
<p><em> o seu Reino irá de costa a costa</em></p>
<p><em> até que a lua deixe de mudar.</em></p>
<p><em>A que outro coro, alegremente, responde:</em></p>
<p><em> Não há em Cristo Leste ou Oeste,</em></p>
<p><em> n’Ele não há Norte nem há Sul,</em></p>
<p><em> mas a grande unidade do Amor</em></p>
<p><em> por toda a vasta terra inteira.</em></p>
<p>Jesus tem sempre razão. Os esqueletos das nações que o não quiseram ouvir enchem a História. Que neste século vinte, nós possamos escutar e seguir as suas palavras antes que seja tarde demais. Possamos nós também compreender que nunca seremos verdadeiros filhos do nosso Pai do céu sem que amemos os nossos inimigos e oremos por aqueles que nos perseguem.</p>
<p><em>Este sermão foi escrito pelo Pastor Martin Luther King, Jr., prêmio Nobel da Paz em 1964, nascido em Atlanta, Estado da Geórgia, no dia 15 de janeiro de 1929, e assassinado no dia 4 de abril de 1968, com apenas 39 anos de idade, em Memphis, no Estado de Tennessee. O autor formou-se em Teologia no Seminário Teológico de Crozer, em Chester, em 1955. Logo depois foi consagrado pastor e empossado como pastor-auxiliar da Igreja Batista da Avenida Dexter, de Montgomery, no Alabama. Depois assumiu o pastorado da Igreja Batista Ebenézer de Atlanta, sua cidade natal. O pastor King Jr. foi o maior líder dos movimentos contra a segregação racial nos Estados Unidos e seu nome figura na galeria das maiores personalidades do Século XX.</em></p>
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		<title>Discrição de Deus</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 18:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/11/821seashell.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1264" title="821seashell" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/11/821seashell.jpg?w=300&#038;h=236" alt="" width="300" height="236" /></a>Deus é sempre um Pai Amoroso, isso todos sabemos, mas há uma outra &#8220;faceta&#8221; de nosso Pai que acho extremamente fascinante. A forma como Ele é discreto e soberano ao mesmo tempo. Muitas vezes nós, acostumados a ver a soberania trajada da exuberância dos grandes feitos, não conseguimos ver o discretíssimo convite que há na Obra do Senhor. Vemos as estrelas e nos encantamos. Vemos as fotos das galáxias e nos espantamos. Vemos a sincronia da Natureza e percebemos o quanto Deus é Soberano e Perfeito! Mas apesar de vermos sua soberania, raramente percebemos as discretas lições e chamados que Ele nos dá todo o tempo.</p>
<p>É linda a forma como Ele nos educa com lições discretas, porém firmes e inesquecíveis. Com as abelhas e as formigas, por exemplo, Ele nos ensina a importância do trabalho em equipe. Com os oásis em meio aos desertos nos ensina que, por mais longa e escaldante seja a nossa viagem, precisamos de pequenos períodos de refazimento entre trajetos longos, nos mostrando que é importante termos consciência de nossos limites e não ultrapassarmo-os nem nas viagens e trabalhos mais importantes, para que não morramos no caminho. Com a beleza artística das flores Ele nos mostra que a Arte, as cores, a harmonia das formas é tão importante quanto o fruto, que não precisamos deixar a beleza e a arte para encher a Vida dos frutos do Amor e da Caridade. Se Ele não gostasse de Arte e de beleza, não teríamos uma Natureza tão exuberantemente bela! Com os pequenos rios que enchem os imensos oceanos, Ele nos ensina que todos os trabalhos, por menores que sejam, são importantes para que o Todo exista. Nos ensina que, aos poucos, com paciência e perseverança, podemos alcançar os grandes oceanos de realizações. E poderíamos passar aqui todo o dia lembrando de lições importantíssimas que Deus nos dá de forma tão discreta e encantadora, todos os dias na Natureza que nos ronda e da qual fazemos parte!</p>
<p>E uma das mais belas lições que Ele nos dá é a da fé que precisamos ter em seu Amor e Sabedoria. Ele não chega para nós pessoalmente para dizer-nos imperiosamente: &#8220;Tenham fé em mim, meus filhos, pois que sou o Todo-Poderoso que à tudo governa e que tudo criou!&#8221; Penso que não há no Universo ser mais humilde e discreto do que Deus ao se dirigir à nós, suas criaturas e filhos tão amados&#8230; Ele nos fala das formas mais indiretas, discretas e humildes, para não ferir nunca nosso arbítrio e nosso direito de descobrí-Lo por nosso próprio mérito. Um dia, quando estamos cansados de achar que temos algum poder, quanto estamos cansados de achar que temos as situações em nossas mãos, que de alguma forma somos maiores que Ele, nós somos discretamente chamados a perceber a sua Soberania de uma forma mais profunda e intrínseca que a grandiosidade das estrelas e das galáxias.</p>
<div id="attachment_1267" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/11/mosquitinho-de-box.jpg"><img class="size-medium wp-image-1267" title="mosquitinho de box" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/11/mosquitinho-de-box.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Mosquitinho morador do box do meu banheiro. Foto tirada por mim usando uma Câmera Digital Samsung ES25</p></div>
<p>Nesse dia Ele nos convida, sem palavras, a ter fé em sua Perfeita Sabedoria. Aos poucos vamos olhando à nossa volta e percebendo como Ele está presente em tudo, todo o tempo, sem que déssemos conta! Nossa visão se expande, nossos olhos não vêm mais apenas com a retina, mas também com o coração. Olhamos uma flor e ela não é mais apenas uma flor, mas uma demonstração da perfeição do nosso Criador. Ou quando utilizando de nossos orgulhosos aparelhos tecnológicos  conseguimos descobrir o mundo minúsculo que nos rodeia, e vemos  espantados, a simetria perfeita, unida à beleza artística incomparável  que há, por exemplo, nas asas de um mosquitinho que habita o box do  nosso banheiro&#8230; E sentimos que aquela tecnologia toda não é nada, posto que ela em vez de nos deixar mais poderosos, só nos faz descobrir mais e mais a grandiosidade de Deus!</p>
<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/11/simetriaconcha.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1260" title="simetriaconcha" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/11/simetriaconcha.jpg?w=600" alt=""   /></a>Pegamos uma conchinha de mar para realizarmos pesquisas, e fazendo os cálculos das proporções de suas formas, constatamos aterrados que naquela conchinha perdida na areia há uma intrincada e perfeita equação matemática. E ao pegarmos outra conchinha, e outra, e outra, e outra, vemos que em todas elas existe a mesma perfeição, provando-nos de forma incontestável que toda aquela simetria não foi obra do acaso, mas de cálculos matemáticos muito bem elaborados! E além do espanto pela perfeição da Criação, nós nos rendemos à Sabedoria óbvia que há nesse Ser que não vemos com os olhos, que não ouvimos com os ouvidos, que não tocamos com as mãos, mas que vemos, ouvimos e tocamos todo o tempo, em todo lugar, desde que saibamos transcender a matéria e buscar suas palavras, lições e chamados além dos sentidos.</p>
<p>E assim Deus nos convida a termos fé em sua Perfeição e Sabedoria&#8230; Nos fazendo enxergar, cada vez mais, que um Ser que é capaz de realizar tão perfeita, minuciosa, harmônica e soberana Obra, só pode merecer nossa mais irrestrita e permanente confiança&#8230; Que melhor que tentar ter a Vida e tudo sob nosso imperfeito e limitado controle, é deixarmos nas mãos Dele o controle de nossas Vidas&#8230; Não sabemos como e nem para onde Ele vai nos guiar, mas podemos ter a certeza de que, seja para onde e como for que Ele nos levará, será com as mesmas mãos amorosas com que Ele criou toda essa perfeita, harmônica e bela Obra Universal!</p>
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			<media:title type="html">Luciana Luz</media:title>
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		<title>Quando a Dignidade é Orgulho</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 15:47:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Evangelho]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/10/438px-christ_carrying_the_cross_1580.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1234" title="438px-Christ_Carrying_the_Cross_1580" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/10/438px-christ_carrying_the_cross_1580.jpg?w=219&#038;h=300" alt="" width="219" height="300" /></a>Quando o auto-respeito é orgulho e quando é realmente auto-respeito? Essa é uma das perguntas que sempre tive dificuldade de demarcar uma linha de separação. Não é fácil identificarmos o orgulho ferido quando muitas vezes o confundimos com a palavra &#8220;dignidade&#8221;.</p>
<p>Nosso orgulho é traiçoeiro e está tão misturado à nossa essência, que passamos quase todo o tempo sem percebê-lo em nossas ações, mesmo naquelas em que agimos após refletirmos e tomamos o cuidado de sermos &#8220;humildes&#8221;. Quantas, mas quantas vezes nós confundimos o orgulho com humildade e com a tão falada dignidade!</p>
<p>O que é ser digno? Digno é todo aquele que busca o bem de si mesmo, do próximo e da sociedade. É aquele que vive retamente como acredita ser eticamente e moralmente bom, e além disso, respeita à todos. Sobretudo o homem é digno quando, apesar de seus defeitos e suas limitações, busca sempre se esforçar e superar para ser cada vez mais digno.</p>
<p>Se um ser-humano é explorado por poderosos ganaciosos, para ser digno ele tem que lutar para sair dessa situação, porque ao se permitir ser explorado, ele falta com o direito ao bem-estar próprio e é conivente com o egoísmo do poderoso. Então sim, lutar para não ser explorado, para ter o direito de viver com saúde e pela saúde do próximo é lutar pela sua dignidade, constituindo com isso um dever do homem de bem.</p>
<p>Quando Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela e outros ativistas dos direitos-humanos lutaram, sem ferir, pela dignidade de seus representados, estavam de fato, cumprindo um dever humano perante a Justiça Social e a Dignidade do Ser-Humano. Nos deixaram exemplos belíssimos do verdadeiro auto-respeito e do respeito pelo próximo.</p>
<p><em>Nos auto-respeitamos quando não nos permitimos a indignidade, ou seja, quando lutamos pelo nosso direito à sermos pessoas de bem, seres criados para o Amor.</em></p>
<p>Mas muitas vezes, como tentativas de se auto-preservar, e pela linha que separa um conceito do outro ser ainda muito pouco clara para nós, pequenos aprendizes do Amor, nosso orgulho veste a capa da dignidade, como os lobos experientes vestem a capa das frágeis ovelhas. Pensamos que lutamos pelo nosso auto-respeito, quando apenas encontramos um meio de não sentirmos o golpe no nosso orgulho.</p>
<p>Na maioria das vezes confundimos a humilhação com a indignidade, como se o termômetro para medir nosso auto-respeito fosse não se permitir a humilhação. Mas se assim fosse, Jesus, nosso maior Modelo e Guia, seria então o maior dos indignos e aquele que nos legou o maior de todos os exemplos de falta ao auto-respeito. Ele, mesmo tendo todo o poder, toda a glória e o cargo de Governador do Planeta, se permitiu ser açoitado e crucificado com uma coroa de espinhos (o gesto supremo de desdém e sarcasmo à sua condição de Reis dos reis), entre dois ladrões vulgares.</p>
<p>Nunca houve alguém que tenha se permitido humilhar tanto, ao mesmo tempo que dava o mais comovente exemplo de dignidade, respeito e auto-respeito!</p>
<p>O que nosso orgulho mais teme é a humilhação, porque é através dela que Deus o tranforma em humildade. Num movimento de auto-preservação ele tenta sempre nos enganar, nos dizendo que ser digno é não se permitir o rebaixamento, reagindo para nos manter num posto &#8220;digno de nós&#8221;. E se observarmos, a linha tênue que separa um conceito do outro está justamente nesse ponto, porque de fato, a indignidade vem quando nos permitimos o rebaixamento, só que na maioria das vezes nós invertemos os nossos verdadeiros valores e trocamos o verdadeiro bem-estar pelos falsos ícones do mundo, colocamos sempre a satisfação do ego e suas conquistas ilusórias e efêmeras acima do espírito e suas conquistas reais e permanentes. É precisamente nesse ponto que nosso orgulho nos confunde, e que faz com que a humilhação seja vista por nós como a grande vilã, quando na verdade a grande vilã é nossa constante queda do posto de &#8220;filhos de Deus&#8221; para o posto de &#8220;filhos do Ego&#8221;. Nós nos rebaixamos todas as vezes que nos permitimos humilhar os outros, não quando somos humilhados, todas as vezes que praticamos um ato contrário ao bem, ao amor e à Verdade que abraçamos como ideal de boa conduta. Se Jesus, naquele dia inolvidável, tivesse humilhado os romanos e os fariseus com todo o seu poder e glória celeste, lutando, dessa forma, para manter seu justo e merecido posto de Messias, Ele teria sido indigno da mensagem que veio nos passar, teria faltado com seu auto-respeito verdadeiramente.</p>
<p>Nós nos auto-respeitamos todas as vezes que agimos de acordo com nossos ideais éticos e morais, todas as vezes que abrimos mão de nossas mazelas (dentre elas o orgulho) em prol de fazer o bem à nós mesmos, ao próximo e à sociedade, e se a condição para que façamos o bem é sermos humilhados, então a humilhação é um ato de dignidade, não o contrário, como nosso orgulho nos faz sentir. Nos auto-respeitamos e somos dignos, quando nos mantemos firmes aos nossos ideais de amor, bondade, fraternidade e igualdade, mesmo que para isso tenhamos que sofrer alguma limitação ou perda, mesmo a perda do corpo físico, como foi o caso do nosso Rabi e de inúmeros que seguiram seu exemplo.</p>
<p>Nosso Mestre, mais uma vez, é nosso melhor exemplo de dignidade e auto-respeito: mesmo sendo humilhado à posição humana mais abjeta, preservou seu direito à se manter fiel à mensagem da qual era portador até o fim, quando à exemplo do que pregou, foi verdadeiramente humilde (tendo o poder em mãos, voluntariamente aceitou a humilhação para não humilhar seus algozes), perdoou seus malfeitores no momento fatal, e sem se intimidar, continuou (e continua) mansamente seu ministério, tal qual era e é a vontade de Deus, independente do que pensem, façam ou deixem de fazer seus inimigos, aos quais nunca cansa de convidar, amar e esperar pacientemente.</p>
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		<title>Veracidade e Não-Violência</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Oct 2010 16:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gandhi]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>
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		<description><![CDATA[Relendo o livro &#8220;Cartas à Ashram&#8221; de Gandhi, uma frase me chamou a atenção, o que na primeira leitura não tinha acontecido: &#8220;As únicas virtudes que pretendo são a veracidade e a não-violência&#8221;. Fiquei refletindo que uma alma tão elevada como ele, que provavelmente só reencarna em planetas como a Terra para missões coletivas, tenha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jyotiprema.wordpress.com&amp;blog=9050795&amp;post=1214&amp;subd=jyotiprema&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/10/mahatma-gandhi-and-the-pony-of-bodmin-moor.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1215" title="Mahatma Gandhi and the pony of Bodmin Moor" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/10/mahatma-gandhi-and-the-pony-of-bodmin-moor.jpg?w=268&#038;h=300" alt="" width="268" height="300" /></a>Relendo o livro &#8220;Cartas à Ashram&#8221; de Gandhi, uma frase me chamou a atenção, o que na primeira leitura não tinha acontecido: &#8220;As únicas virtudes que pretendo são a veracidade e a não-violência&#8221;.</p>
<p>Fiquei refletindo que uma alma tão elevada como ele, que provavelmente só reencarna em planetas como a Terra para missões coletivas, tenha pretendido para essa vida apenas duas virtudes. Todas duas dificílimas, diga-se de passagem, e que ele vivenciou à risca, nos mínimos detalhes.</p>
<p>Para nós, ainda afinizados com um planeta de provas e expiações, fica difícil imaginar até o que seja vivenciar essas duas virtudes em sua máxima como ele o fez. Imaginem o que seria para nós dizer sempre a verdade, em todos os detalhes. É impossível não lembrar de uma comédia americana estrelada por Jim Carey, chamada &#8220;O Mentiroso&#8221;, onde um advogado (Jim) à pedido de seu filho, não consegue dizer nenhuma mentirinha durante um dia inteiro. Como tudo ficou de pernas para o ar no dia dele! E Gandhi vivia assim, mesmo sendo advogado também, durante 24 horas, *todos os dias*.</p>
<p>Jamais dizia uma mentira, independente do prejuízo ou sacrifício que significasse para si próprio. Qual de nós teria tamanha força de caráter, e tamanho desprendimento do ego, para cultivar a veracidade em todos os lances da vida? Nós ainda fazemos pior. Além de contarmos uma mentirinha ou outra eventualmente, para nos resguardarmos da bronca do chefe, ou da cobrança de um cliente importante, nós também pedimos que outras pessoas mintam por nós. Pedimos sempre que alguém diga à outra pessoa que não estamos, quando estamos. Que um funcionário diga ao cliente que o trabalho está todo pronto, quando não está. Que um filho diga ao pai que acabou o dinheiro, quando não acabou. São tantas as mentirinhas que dizemos ao longo do dia, que os especialistas dizem que, em média,  um ser-humano *normal* (que não tem nenhuma patologia que o faça mentir, embora nesses casos o que conta é mais a motivação &#8211; e falta dela -, e não a quantidade) conta em torno de 200 mentiras por dia.</p>
<p>Imaginemos então, que quando Gandhi escolheu a veracidade como uma das duas virtudes que iria se concentrar totalmente, ele não estava fazendo pouco, e sem dúvidas estava muito à nossa frente.</p>
<p>E com relação à não-violência, que ele também vivia à risca, ao ponto de ter se tornado ícone e exemplo nessa virtude, ele também devia encontrar muita dificuldade de viver isso aqui na Terra, porque ele não se restringia a ser pacífico só com os seres-humanos, mas com toda a Criação, até as plantas. Se alimentava apenas de frutas, porque elas caem das árvores, e isso quer dizer que não matamos a planta e nem a prejudicamos para nos alimentarmos de fruta. Ele vivia intensamente todos os pormenores da não violência, e agia apenas depois de constatar que sua ação e até palavra, não iria violentar o que quer que fosse. Há uma parte do seu livro &#8220;A Roca e o Calmo Pensar&#8221; que ele conta de quando compraram o terreno onde foi construído seu Ashram. O local estava infestado de cobras, e ele proibiu que qualquer um, à qualquer pretexto, matasse uma só cobra. Que morressem, mas não matassem. Ele disse que todos tinham medo, inclusive ele, mas que violar o ahimsa estava fora de cogitação. E assim foi por anos, e durante todo o tempo, embora as cobras tenham continuado lá, nenhuma delas fez mal à qualquer um deles, e que no fim ele atribuíra isso à Deus, que retribuiu o respeito que eles tiveram pela vida das cobras, protegendo a vida deles.</p>
<p>Quem de nós consegue viver assim, se quase todos os dias nós violentamos até à nós mesmos? E mesmo quando cuidamos de nós, e  somos pacíficos uns com os outros, nós violentamos a Natureza todo o tempo. Uma vez, pensando nisso, eu cheguei a ter um pensamento tragicômico, mas que foi uma dúvida honesta que me ocorreu: &#8220;como será que Gandhi fazia se um de seus filhos pegasse piolho, por exemplo? O que não deve ser difícil num país como a Índia, que tem sérios problemas com a higiene. Será que ele deixava o menino cheio de piolhos? Mesmo que raspasse a cabeça, ele iria decretar a morte dos piolhos e das lêndias, não é?&#8221; Eu não consigo conceber uma vida num mundo como a Terra, sem que haja qualquer tipo de violência, mesmo aquelas que praticamos inconscientemente. Mas ele conseguia.</p>
<p>Não foi em vão que por muitos anos os ocidentais consideraram Gandhi um louco estravagante. Mas ele não era louco, ele só não era desse mundo, e aqui veio apenas para nos ajudar, mas tentando viver a vida de quem já habita esferas e mundos onde a não-violência é comum, e toda a sociedade é adaptada à viver de forma pacífica em todos os seus pormenores. Imagino o sacrifício que ele teve que empregar para viver dessa forma aqui na Terra. Mas penso também que se almas como ele nunca viessem aqui nos mostrar na prática que é possível, nós nunca sairíamos do lugar.</p>
<p>E pensar que nós, tão pequeninos, ainda não conseguimos praticar nenhuma virtude em todos os pormenores, e quando conseguimos avançar um pouco em uma delas, já saímos vitoriosos da vida. Para vermos como ainda estamos distantes. É nas horas que nos deparamos com essa nossa pequenez, que somos obrigados à cultivar a humildade, e orar para encontrarmos forças e robustez espiritual para prosseguirmos na nossa caminhada de auto-iluminação. Precisamos mesmo orar e vigiar muito, para avançarmos um pouco que seja nas virtudes, que ainda nos são tão difíceis de praticar.  Cada vez mais constato que a vigilância e a oração devem ser uma das nossas maiores e prioritárias preocupações. Aliás, o próprio Gandhi disse muitas vezes que só conseguia viver essas duas virtudes de forma tão intensa, porque das coisas que mais fazia na vida era orar e vigiar cada um de seus atos, palavras e especialmente pensamentos.</p>
<p>E nós que vivemos a vida concentrados em juntar bens, pagar contas, comprar coisas, receber pagamentos de tudo, e mais mil interesses que dizem respeito apenas à matéria ou ao ego (sim, porque muitas vezes nós cultuamos o ego muito mais que a matéria, e vivemos para satisfazê-lo, mesmo vivendo no desprendimento material), ainda temos a pretenção de dizermos que somos seres espiritualizados, só porque buscamos algum conhecimento sobre a vida espiritual. Acho mesmo que nós ainda nem conseguimos conceber o que seja viver espiritualmente num mundo como a Terra. E todos aqueles que tentaram e conseguiram, foram tidos como loucos, exagerados e visionários por muitos de nós. Mas se Deus permite que eles reencarnem para nos ensinar, é porque já temos condições, e falta-nos apenas a coragem e a determinação de nos despojarmos do nosso egoísmo, orgulho e falsa noção de necessidade da matéria para sermos felizes. A matéria é nossa ferramenta de progresso, não o motivo dele. E nós passamos a vida toda tendo os bens e o conforto material como motivo de luta, para no fim não levarmos daqui nem mesmo o nosso corpo.</p>
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		<title>Renúncia e Paciência</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Oct 2010 01:10:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luciana Luz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/10/buda-nirvana.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1207" title="buda nirvana" src="http://jyotiprema.files.wordpress.com/2010/10/buda-nirvana.jpg?w=219&#038;h=300" alt="" width="219" height="300" /></a>Em muitos momentos é difícil para nós termos o exato momento em que a resignação é a única estrada possível, sobretudo quando o que está em jogo são nossos maiores tesouros, pelos quais jamais temos limites para a luta. É com esse sentimento de luta incansável e obstinação ilimitada que muitos doentes terminais lutam pela vida até seu último segundo na Terra, ou que mães lutam pela vida de seus filhos ao ponto de darem suas próprias vidas quando nenhum outro recurso existe.</p>
<p>Para aqueles que amam não há impedimentos que se lhes afigure fortes o suficientes para lhe serem motivos de resignação. Enquanto houver como lutar, luta-se, e isso é inegociável. Enquanto houver meios, usa-se, e quando não mais houver, encontra-se novos. Desistir da luta? Nunca. O sentimento de impotência lhes é a mais penosa e desesperadora provação, e para vencê-la um coração que ama é capaz de absolutamente tudo que seja ético, e em alguns casos, renuncia-se até da ética e das mais profundas convicções, afim de amparar e ajudar os seres mais amados. Uma mãe que mente descaradamente para conseguir, por exemplo, um exame importante para o filho. Uma esposa que paga propina para um político para conseguir uma cirurgia urgente para seu esposo, ou até uma pessoa que se humilha entrando de ônibus em ônibus afim de pedir dinheiro para alimentar e medicar os filhos. Não há limites para a renúncia, nem mesmo a renúncia da própria dignidade e moral. Muitas prostitutas estão precisamente nessa condição, enfrentando renúncias que muito poucas mulheres suportariam, para que consigam ao fim da noite, levar o suficiente para nada faltar à seus filhos.</p>
<p>Deus vê tudo isso. Vê sob óticas que à nós é vedada. Vê a profundeza do coração de cada um de nós, e o quanto de amor estamos colocando em cada um dos nossos gestos, mesmo os mais errados e reprochados pela sociedade. Vê a nossa nudez espiritual muito mais do nós próprios somos capazes, porque não raras vezes nos escondemos atrás de mil artifícios para nos protegermos da dor. É assim que Deus nos vê: pelo quanto de amor estão impregnadas nossas atitudes, pensamentos e intensões.</p>
<p>Nos momentos da luta que somos chamados à renunciar, não há limites para a renúncia. Mas nos momentos que somos chamados à nos resignar, é quando mais necessitamos de forças para lutar. Não a luta que estávamos acostumados. Não aquela luta que damos tudo que temos, cada um dos vinténs que possuímos, todo o sangue e suor até a última gota. Mas uma luta infinitamente mais difícil para quem ama: a espera. Para essa luta não precisamos renunciar ou nos permitir a destruição se for necessário. Precisamos apenas de paciência. A mesma obstinação ilimitada para a paciência que tínhamos para a renúncia.</p>
<p>A paciência que permite à um cientista passar anos a fio numa mesma experiência para encontrar a cura de uma doença que assola os humanos. A paciência que permite à uma mãe passar anos e anos cuidando carinhosamente do filho que vive em coma num hospital. A paciência que permite que uma esposa espiritual passe séculos e até milênios esperando seu companheiro que vive ainda em zonas inferiores da Vida.</p>
<p>Acredito que muito do progresso que vemos hoje no mundo ocorreu graças à obstinação do homem em lutar contra as adversidades, independente delas terem início em nós ou nos desígnos divinos. E em todas as lutas pelo progresso, pelos nossos amores, pela própria humanidade, e sobretudo pelo nosso próprio progresso íntimo, nós precisamos ser obstinadamente firmes e ilimitados nessas duas virtudes: renúncia e paciência. Ora uma, ora outra, mas sempre as duas.</p>
<p>Não há como progredirmos sem renunciarmos à nós mesmos enquanto ego, sem renunciarmos à prazeres materiais, ou à muitas das coisas que julgamos importantes quando vemos pela visão temporal e limitada, de seres imperfeitos que somos. Da mesma forma que não há como progredirmos sem paciência. Paciência para errar e recomeçar incansavelmente. Paciência com os erros alheios. Paciência com os próprios desígnos de Deus, que muitas vezes não pode atender nossos pedidos, anseios e desejos imediatamente. Paciência com o tempo das pessoas, com o tempo da coletividade, que avança lenta, mas indubitavelmente. Paciência com as diversas formas de pensar, de perceber e de viver das outras pessoas. Paciência para esperar o tempo de Deus, mesmo quando temos que renunciar a nossa desesperadora pressa pelo nosso tempo. Como disse-me um amigo espiritual muito querido: <em>&#8220;Nós temos o nosso tempo, mas só o tempo de Deus é o da sabedoria&#8221;.</em></p>
<p>E das coisas mais díficeis para os corações que amam é terem paciência para esperar, renunciando ao tempo de lutar, até que o tempo de Deus se cumpra&#8230;</p>
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