Dúvida e Fé


Swami Vivekananda

Hoje descobri uma daquelas almas raras que sempre renascem na Índia. Chamava-se Swami Vivekananda. Fiquei encantada com sua personalidade e suas idéias. Poderia dizer que sua verdade se parece bastante com a minha, e por isso foi com muita satisfação e entusiasmo que comecei a ler sobre ele. Como gosto muito de escrever, fiz esse espaço para isso, para registrar minhas observações sobre os fragmentos da minha verdade que vejo nas diversas manifestações da Verdade pelo mundo, incluindo as pessoas por elas mesmas, além das Filosofias. E é o caso de Vivekananda.

Seu Mestre foi Ramakrishna, outro líder espiritual indiano (por que será que na Índia nascem tantas almas espiritualizadas?) e conta-se que uma das marcas mais fortes da personalidade de Vivakananda era a dificuldade que ele tinha de ter fé, simplesmente. Talvez ele teria dado um bom Kardec. :-)  Só que ele parecia ter, vamos dizer assim, uma mente mais desprendida que a de Kardec, e por isso mesmo mais rígida. Ele era hindu, mas o Hinduísmo não “contaminou” suas idéias, tanto que elas tomaram um caráter universalista, tendo ele se tornado o inspirador do movimento espiritualista universalista. Idéias extraordinárias, como se elas surgissem de uma essência desprovida de bases filosóficas, e por isso mesmo são tão puras, tão universalistas. Como se fossem luvas que coubessem em qualquer mão. E por essa dificuldade de ter fé, ele testava Ramakrishna incansavelmente. A resposta de seu mestre à tantos testes e dúvidas, foi, à meu ver, uma prova de sua maturidade espiritual. Ele adorou e louvou esse traço de seu discípulo, e com a segurança de quem tem uma comunhão sincera com a Verdade, disse-lhe: “Teste-me como os cambistas testam suas moedas. Você não deve acreditar em mim antes de testar-me por completo”.

Das frases que mais me tocaram, porque fez eco intenso com minha alma, foi a que descreveu esse traço da personalidade de Vivekananda: “Ele duvidava muito por ser capaz de acreditar muito. Para ele, crer significava absoluta dedicação ao objeto de sua crença. Não é de espantar que ele hesitasse e que sua luta interior fosse tão rigorosa!” Meu Deus, como me vejo nessa frase! Ela traduz precisamente a minha relação com a Fé. Eu tenho um impulso muito intenso à confiança. Em essência sempre confio nas pessoas, e por isso, não raras vezes fui enganada. E se a pessoa que me enganou demonstrar um pequeno gesto de bondade, eu acredito nela outra vez. É muito fácil alguém me fazer crer na bondade, no amor e no bem, e talvez seja por isso que, tal como Vivekananda, um dos traços mais intensos da minha personalidade seja o senso de observação quase instintivo e a facilidade para gerar dúvidas. Se eu acredito, é porque aquela crença passou por todos os mecanismos de defesa que minha alma engendrou para me proteger de mim mesma, da minha devoção à confiança, ao meu objeto de crença. Eu só sei confiar 100%, por isso minhas defesas são tão rigorosas. E quanto maior o grau de devoção, mais rigorosas as defesas.

Não acho isso bom, em se tratando de pessoas. Queria ter, com as pessoas, o impulso puro da confiança, sem defesas. Se elas me machucassem, machucariam à si mesmas, não à mim. O amor e a compreensão seria mais sentido por mim do que a dor da ferida. Se elas me traíssem, seria motivo para eu confiar ainda mais, porque quem erra e aprende com sua queda, fica menos propenso ao erro. Se elas me mentissem, eu então confiaria que nunca mais elas iriam me mentir, e minha confiança seria para elas, impulso pela verdade.

Ter o coração puro como o de uma criança, com a experiência do ancião que sobreviveu à picada da cobra mais venenosa. E por ter sobrevivido, perdeu o medo de morrer envenenado. E perdendo o medo de morrer, se libertou de si mesmo.

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