Autobiografia de Gandhi


Gandhi1 Hoje finalmente comecei a ler a Autobigrafia de Gandhi. Há uns 2 anos mais ou menos que procurava-a em português pela internet, mas nunca a encontrei. Então resolvi eu mesma traduzir uma que estava em espanhol, coisa que já devia ter feito à muito tempo. Queria ler, das próprias mãos de Gandhi, sobre a Satyagraha. E para minha feliz surpresa, ele mesmo disse que era melhor: “Há algumas coisas que só as conhece realmente quando conhecidas por quem as fez”.

Estou encantadíssima, e apesar dos acontecimentos narrados não serem novidade para mim, está sendo como sabê-los pela primeira vez, porque é o próprio que está me contando. Essa é a vantagem das autobiografias, ainda mais quando escrita por uma alma tão honesta com a verdade. É como ouvir histórias de uma confidente fiel. E as energias por trás das letras? Tão pacificadoras, que quase pode-se ouvir a voz suave e mansa de Gandhi.

A obra é linda, embora apenas a introdução já bastaria para fazer dela uma obra ímpar e completa, espiritualmente. O que segue nos capítulos, são os exemplos para nos constatar que ele foi fiel à meta exposta na introdução, de viver pela sua verdade, nos mínimos detalhes.

Achei fantástico como ele colocou sua verdade como se fosse uma ciência de experimentação. E sua vida como as experimentações dessa ciência. Acho que nunca tinha visto uma definição tão humilde como essa para a própria vivência. Sua verdade, pela qual ele sacrificaria tudo (como sacrificou), vista como uma ciência, e ele o cientista e a cobaia das experimentações dessa ciência. E a autobiografia é como se fossem os registros das próprias experimentações, que segundo ele, podem ser vividas até por uma criança.

Depois, nos capítulos que seguem, vê-se um homem, não como todos os outros, posto que não são todos que conseguem tanta consciência de si mesmo, ou analisar-se de forma tão transparente e desprovida de parcialidade, mas um homem comum, com lutas íntimas, erros, acertos, deslizes e dúvidas. O que mais o destaca do resto da Humanidade, não é nenhuma santidade, mas uma firmeza incrível para a realização daquilo que ele acreditava de toda alma ser o certo, não importando o sacrifício e a renúncia necessária para tal, e a imensa capacidade de ser honesto com ele mesmo. Isso é o que deixa entre ele e nós um imenso abismo. Ele viveu cada minuto da sua vida, tentando com todas as forças da alma, vivenciar a verdade na qual ele acreditava. Nós só conseguimos, com dificuldades, encontrar uma verdade para acreditar. E em poucos e raros momentos, em insights de iluminação, vivemos conforme ela.

Além disso, é muito raro, igualmente, encontrar alguém com uma transparência psicológica tão grande, e com uma capacidade tão lúcida e imparcial de julgar-se à si mesmo. Era sim, sim, não, não. Nada de justificativas. Estava errado, estava errado, não tinha “mas…”. O mesmo para os acertos. Estava certo, estava certo, não tinha “talvez…”, e foi justamente por essa firmeza incrível na sua verdade (Satyagraha), que ele conseguiu libertar a Índia. A Satyagraha era uma arma tão poderosa, porque seus “sim e não” eram mais fortes, moralmente, que o disparo de uma arma bélica.

Mas não me parece ter sido fácil para ele viver essa verdade à todo momento. Ele sofreu as mesmas dores que sofremos, e até muito mais, porque nós, quando temos dor, corremos para tentar sanar a dor, independente de ser certo ou não o que nos aliviará. Na mesma hora esquecemos as nossas convicções, ou a justificamos ao infinito, com o fim de acabar com a dor. Ele sentia a dor até o fim, mas não renunciava à sua verdade. Uma alma extraordinária.

Está sendo muito importante para mim, pessoalmente, ler essa obra.

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