Dificuldade dos Pensamentos


Hoje me vi pensando na questão dos pensamentos. Já é difícil fazer as coisas seguindo rigorosamente as nossas convicções, que dirá com relação ao pensamento. Em alguns momentos é inevitável “não pensar” em desacordo com as coisas que acreditamos, então como fazer? Sim, porque tudo começa no pensamento. Se o alimentamos, o próximo passo é transformar em ações. Como trabalhar o pensamento? Essa é minha grande dúvida.

Analisar cada pesamento é um tanto exaustivo, mas não sei se há outra forma de nos conhecer à sério, e nos analisar imparcialmente. Muitos pensamentos nascem ruins, mas quando externamos, mostramos uma coisa boa. Filtramos demais as nossas emoções, e o resultado disso é uma hipocrisia mais arraigada e refinada, aquela que só nós e Deus sabemos que é hipocrisia, posto que nossas palavras e ações seguem o rumo da cordialidade, da educação e da ética. Há quem diga que isso é o correto, até pensar mal, mas na hora de agir, fazer correto. Eu, pessoalmente, acho isso terrível para mim. Me sinto uma artista talentosa para me transformar numa lata de lixo quando ajo desse jeito. Daquelas que ninguém percebe que é lata de lixo, mas que eu sei muito bem o que tem lá dentro. Não suporto, realmente. Houve um tempo que eu agia assim naturalmente, e a cordialidade e a diplomacia estava acima de mim mesma. Não tinha porque os outros saberem das coisas ruins que eu pensava. Isso era assunto só meu (e de todos os espíritos malígnos que estavam à minha volta). Mas desde que comecei a tentar jamais ser desonesta nos mínimos detalhes (como exige desfazer-se de qualquer vício), que não consigo agir assim. Fico travada, me dói até pensar. É como se existisse dentro de mim alguma coisa que me aperta com força quando estou prestes a agir assim. Minha consciência dói e não consigo prosseguir. Mas como fazer com os pensamentos que brotam da minha alma, ainda tão impura?

Ando tentanto uma coisa. Quando me vem o pensamento ruim, eu não externo nada antes de tentar transformá-lo em algo bom. Enquanto ele for ruim, me fecho no silêncio e na introspecção, me fixando apenas em mim, sem pensar no que me causou o problema, para não correr o risco de alimentá-lo, e assim fico até que eu consiga analisá-lo honestamente, sem fulgas ou justificativas. Então eu tento ver como ele ficou depois da análise. Se continuou ruim, me abstenho de externar qualquer coisa sobre ele (ainda não sei lidar com a externação, isso é o meu próximo passo, que vai me exigir bastante empenho íntimo, porque tenho uma dificuldade realmente grande de externar coisas ruins sem me valer de métodos agressivos-verbais. E ao mesmo tempo só de me imaginar usando de termos doces e carinhosos para externar coisas ruins, sinto verdadeiro asco de mim mesma. Isso para mim seria pior que ser fisicamente agressiva. Tenho que achar o caminho do meio…). Se entendi porque senti de forma negativa, eu tento encontrar, dentro da minha Satyagraha, alguma coisa que me ajude a transformá-lo. É um pouco cansativo, no início. E dolorido também, porque até que a gente se acostume a acolher nosso lado ruim, em vez de simplesmente rejeitá-lo, justificá-lo ou transferí-lo, não é fácil. Mas depois que passa o “choque inicial”, nós crescemos em humildade, porque vemos o quanto somos tão impuros ainda, e tão indignos de tantas coisas e afeições. Em compensação, ter consciência dessa indignidade, nos faz desejar a melhoria e a dignidade, e a exaustão do método não pesa tanto. Com o tempo isso se torna um exercício tão natural quanto respirar.

Não sei se está bom assim, ou se os resultados serão satisfatórios com o tempo. Vou tentando e com o tempo eu vejo. Como disse Gandhi tão perfeitamente, é uma ciência de experimentação.

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