Minhas Bases


E aqui, disseco o que penso ser a melhor base de bem-viver, para mim mesma.

Amor

Penso que o amor é a base da saúde espiritual, emocional e psicológica. Sem amor, simplesmente não conseguimos viver, só mesmo sobreviver ou fingir felicidade. E aqui vale qualquer troca amorosa (desde que esse amor não seja, na verdade, máscara para alguma fuga de carência-afetiva, porque aí em vez de trazer vida na alma, vai trazer sofrimento e agressão), amor materno, filial, romântico, fraterno, universal, amor por todas as coisas vivas, amor pela própria vida! Quanto mais amor, mais saúde na alma.

Não-violência

Creio que a maioria dos habitantes desse planeta já perceberam que a violência não é algo saudável, nem mesmo solução para qualquer coisa. Antigamente, quando éramos psicopatas-sociais e travávamos guerras para solucionar qualquer problema, por menor que fosse, a violência era como falar, respirar e dormir. Hoje o nosso próprio senso ético natural repugna a violência, mas no entanto, ela ainda é, para muitos, como falar, respirar e dormir. E não falo do terrorismo, mas da violência que encontramos até mesmo dentro do lar. Por isso, penso que a não-violência deve se tornar uma das maiores bases da nossa busca por saúde espiritual. Se nós abolíssemos só a violência física das nossas vidas, já teríamos um avanço incrível em termos de consciência humana. Então penso que qualquer base moral de bem-viver, deve excluir a violência como método, seja com o motivo que for. Temos que ter em mente que somos seres inteligentes, e por isso, não precisamos da força bruta para solucionar problema algum. A violência não é solução nem na selva! Os animais mais selvagens, são menos violentos que os seres humanos, posto que eles só usam a força bruta por instinto de sobrevivência ou para disputas justas, contando que eles não tem outra forma de solucionar questões territoriais e de acasalamento. E nós, humanos, temos o dever de estarmos, pelos menos um passo à frente dos animais selvagens, rejeitando a força bruta mesmo como solução de sobrevivência, quiçá para questões que podemos resolver civilizadamente. E olha que nem falei na violência que é mais devastadora que a física: a violência psicológica e a emocional.

Verdade

A verdade que me refiro não é aquela que temos como “verdade interior”, mas a verdade mesmo, a que é realidade. A que é antônimo de mentira. Dizer sempre a verdade, lidar sempre com a realidade, por pior que ela seja, é fundamental para nossa saúde da alma. Quando lidamos com a verdade, não há mecanismos de fuga, não há justificativas para os erros parecerem acertos, não há a ilusão de si mesmo ou de uma situação. Se você é verdadeiro, você jamais corre o risco de ser admirado ou amado por qualquer motivo que não seja por você mesmo, pelo que você é. Evita-se tanto desgaste emocional, tantos traumas e doenças psicológicas. Se dizemos sempre a verdade, nossa alma fica mais leve, porque nela não entram as mentiras que são lixos psíquicos, e que cedo ou tarde exigem incineração, uma ocorrência sempre muito desagradável. E como dizer sempre a verdade é um exercício praticamente impossível no cotidiano do mundo que vivemos,  acredito que nesse ponto a Satyagraha é mais necessária que em todos os outros, porque as nossas mentirinhas são sempre desculpáveis e passáveis. E realmente há mentiras que não fazem mal algum à ninguém, e o problema reside apenas no fato de que um vício jamais é abandonado se não for evitado de forma radical.

Confiança (ter e ser digno de)

Esse ponto é, para mim, um dos mais importantes. Ser digno de confiança indica uma pessoa comprometida  com a verdade, com a honestidade, com a transparência da alma. Vive-se com a alma livre, e a liberdade espiritual é das coisas que mais causam paz. Você ser livre porque nada oculto ou obscuro te prende. Nada há na sua mente que possa te escravizar, porque ela é o que é, no bom e no ruim. Sim, no ruim também, porque ser digno de confiança, para mim, não é ser só uma pessoa boa, é ser, sobretudo, uma pessoa honesta. Pessoalmente eu sou assim: posso amar profundamente e viver bem com uma pessoa maligna se ela é honesta, digna da minha confiança no que diz respeito ao seu caráter. Ela é má, mente, mata e trai. Assume isso. Então dela eu espero a maldade, a mentira, a morte e a traição. Ela não me surpreende negativamente. Para mim ela é uma esperança, uma alma que esconde a beleza em algum lugar, e que em alguns momentos, eu posso ver, e nesses momentos é como estar num deserto e achar, no meio da areia, uma flor cheirosa, belíssima, daquelas que é mais linda e especial justamente por estar tão só. Impressão oposta me causam as pessoas desonestas. Elas podem ser boas, terem virtudes e atitudes boas, mas se ela é desonesta, eu tenho medo. Pavor, na verdade. Não as consigo amar por puro instinto de defesa, porque o amor nos desnuda e tira as proteções. Se ela se mostra boa, de confiança, amorosa e caridosa, e depois descubro que ela é desonesta no que diz respeito ao seu caráter, ou suas palavras, eu fico com medo dela (não tenho essa reação quando há confissão, porque a confissão é um ato de honestidade. Já fui enganada por pessoas da minha altíssima confiança.  Nos casos em que eu descobri, acabou-se toda minha confiança, e nos casos em que houve confissão, minha confiança aumentou mais). Por isso a confiança é tão importante para mim, pessoalmente. Eu quero muito, ao longo do tempo, aprender a perder as defesas com as pessoas boas, porém desonestas. Aprender a não me surpreender negativamente, tanto quanto aprender à não surpreender os outros negativamente. Ter um coração puro como de uma criança que confia simplesmente, sem a ingenuidade dos contos infantis, onde os mocinhos nunca escondem nada ruim dentro deles. Isso, eu sei, será muito difícil para mim durante a minha Satyagraha, mas espero, um dia, ter sucesso. Terei a alma livre quando aprender a confiar mesmo em quem não é de confiança, dando sempre chances para a honestidade, e quando aprender a ser de total confiança, sem jamais contradizer minhas palavras e atitudes, tendo a face igualzinha a alma.

Não fazer e não aceitar promessas;

A vida me ensinou que não devemos fazer promessas, não porque não daríamos a própria vida para cumpri-las, mas porque nós não temos como ter o destino nas mãos, e sendo assim, podem acontecer situações, alheias à nós, sobre as quais não temos nenhum controle, e que nos deixa impotentes para cumprir alguma promessa. Ou então a vida nos colocar numa situação em que, para cumprir uma promessa, temos que abrir mão de algum de nossos valores, e isso implicaria em faltarmos com a verdade, com o nosso próprio respeito. Além disso, se temos compromisso com a honestidade, com a verdade e com o amor, não temos necessidade de fazer promessas, porque nossos atos serão, naturalmente, inclinados ao correto e ao melhor. A promessa tem um peso emocional muito grande, e diante dela não há como voltar atrás sem lesar a alma tanto do que fez, como do que recebeu-a. E como não temos controle sobre a Vida, apesar de sermos honestos, não devemos selar um acordo tão inviolável como a promessa. Que apenas o nosso amor e a nossa honestidade sejam suficientes para darmos segurança, da mesma forma que devemos confiar na honestidade e no amor dos outros, sem que eles precisem nos prometer nada. Que nossos laços sejam de amor e confiança, não de compromissos e de consciência. Na minha opinião deveria abolir-se dos casamentos, por exemplo, os juramentos. Porque se há amor, não precisa de juramento. E se não há, vai contra o respeito e o auto-respeito, ter alguém preso à nós (ou estarmos presos à alguém) por um compromisso. Da mesma forma que penso, os contratos comerciais e de qualquer ordem, são, na minha opinião, imorais, porque partem do princípio que a outra parte não é honesta e nem tem honradez, já que caso contrário, a palavra dela bastaria. Quando se faz um contrato com alguém, você se resguarda da desonestidade dela, e isso vai contra o princípio da confiança e do respeito com o outro. São ofensas refinadas e civilizadas, pois que é uma forma sutil de supor que o outro não tem honra. Além de ser uma concessão à vingança, igualmente refinada e civilizada, pois que te dá o direito de tomar providências contra a pessoa, acaso ela não cumpra a parte dela. Ela pode não cumprir e nos lesar, mesmo com o contrato, mas se nos resguardamos, ganhamos o direito de lesá-la tal como ela nos lesou. Quem é honesto, cumpre seus deveres, sem precisar de juramentos ou contratos, posto que as virtudes são muito mais fortes na alma da pessoa do que um papel que ela assina. A mesma coisa com relação ao amor. Se você ama alguém, você deseja estar com ela mais que tudo, com ou sem juramentos e papéis assinados. Das coisas mais tristes que há na sociedade, é um casal vivendo junto, estando infelizes nessa situação, mas não se separando porque lidar com advogados e com a justiça, dá trabalho demais e gasta-se muito dinheiro. Uma família formada não pelos laços do amor, mas pelos laços dos compromissos burocráticos e conscienciais. “-Você ama sua esposa?” “-Não” “-Então por que está com ela?” “-Porque eu tenho um compromisso com ela”. À sério, não há nada mais humilhante para uma mulher ou um homem, que ela (e) ter um companheiro (a) por compromisso, e não por amor à ela. Por tudo isso, penso que as promessas são dispensáveis à quem busca a verdade, a honestidade e o amor em todos os passos da vida.

Fé em Deus (teísmo puro, sem contaminação filosófica)

Há quem consiga viver com o ateísmo, mas penso não ser saudável, apenas uma forma de fuga, como tantas outras. Por que? Porque não há como negar, desde que existimos nesse planeta, que há qualquer coisa que é superior à nós e que está por trás do Todo que vemos e sabemos muito bem que não é obra nossa. O ateísmo é, para mim, a pior das cegueiras, porque é aquela que a pessoa não vê porque se nega à enxergar, e não por não  ter as condições. Quanto mais evoluímos seja em ciência, seja na moral, mais ficamos em condições de perceber que há, no mínimo, uma inteligência perfeita de onde surgiu tanta harmonia. E mais óbvio fica que o único fator de desarmonia somos justamente nós e nossas escolhas. Nós somos a dissonância dentro de uma orquestra perfeita, entoando uma melodia profundamente harmônica. Ter fé em Deus, é para mim, o mesmo que encontrar meu lugar na orquestra e passar a fazer parte dessa harmonia. É estar de acordo com as notas que Ele inventa. E isso, na prática, é confiar Nele, que está dentro de cada um de nós. Escutar sua melodia no nosso próprio ser. Ouvir e viver segundo o que a voz interior segreda. Para mim não há religião ou filosofia alguma sobre a face da Terra que nos ensine mais sobre a Fé em Deus do que os animais e seus instintos. Quisera tivéssemos a fé essencial e instintiva deles, que sempre confiam em Deus e por isso seguem-no em cada passo e mantém toda essa Natureza sempre em harmonia. Aceitam serem guiados pela sua “voz interior”,  por algo que os supre e ama, como o pato, por exemplo, que emigra à lugares desconhecidos, sabendo sem entender, que chegará aonde deve ir, mesmo sem saber para onde está indo e nem porquê deve ir. Ele sabe e vai, e a sua harmonia com o Criador o leva em segurança para seu destino. É tão simples… Deus sempre nos guia, e a dissonância é quando  tentamos largar de sua mão, para caminharmos sozinhos, guiados pela nossa ignorância. E o que mais me prova que esse ser, seja Ele o que e como for, é um ser amoroso, é que mesmo quando não queremos sua mão, Ele continua nos guiando, sem que percebamos, para não ferir nosso orgulho e nossa arrogância, que Ele respeita. Por tudo isso penso que ter fé em Deus é um dos pontos primordiais para o bem-viver. Entrar na harmonia do Todo.

Respeito

Não há vida boa sem respeito. Respeito pelos direitos dos outros, respeito pelos próprios direitos. Respeito pelas pessoas, de uma forma geral, e por si mesmo. O respeito, é para mim, a base de toda fraternidade e igualdade, seja porque aceita qualquer um como um ser digno só por ele ser Criatura Divina – mesmo aqueles que não respeitam os direito dos outros, devem ser respeitados, posto que, se ao condená-los por seu desrespeito, nós lhe desrespeitarmos, ficaremos iguais à ele e merecedores da mesma condenação -, seja porque ele consegue transformar as diferenças em unidade harmônica. Basta analisar uma orquestra para compreender a base do respeito. Há diversos instrumentos, cada qual com sua função, seu tom e som. E para que a música saia perfeita e exale beleza, um deve respeitar o tempo e o som do outro. O violino respeita o piano, que respeita a flauta, que respeita a harpa. O violino não quer excluir o piano só porque ele faz outro som, tem teclas em vez de cordas. Ele quer se unir ao piano justamente porque ele tem o que lhe falta, e então, juntos, conseguem realizar uma música ainda mais bonita e rica. Respeitamos as diferenças dos outros, seja ela qual for, e respeitamos a nossa natureza, tentando uni-la em vez de excluí-la. Já pensou se fosse proibido fazer música com instrumentos diversos, e todas tivessem que ser entoadas por apenas um grupo de instrumentos? É isso que fazem os grupos separativistas: partidos políticos, religiões, times de futebol, regionalistas, seitas, gangs, e toda e qualquer união que exclua os diferentes. Respeitar não é o mesmo que concordar. Podemos discordar respeitando. No respeito não há exclusão, mas união. Todos continuam sendo como sentem necessidade, mas interagem e respeitam o outro como ele é, chegando ao ponto de conseguirem criar juntos, porque para o violino e o piano entoarem uma canção mais rica, não basta que o violino respeite o piano, é preciso que eles se juntem para criarem e trabalharem em harmonia, cada um com sua diferença.

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2 comentários sobre “Minhas Bases

  1. “Para mim não há religião ou filosofia alguma sobre a face da Terra que nos ensine mais sobre a Fé em Deus do que os animais e seus instintos.”Estou adorando ler seus escritos e por pouco entendimento que tenho, sou muito observadora e em minhas observações vejo a natureza, tanto animal como vegetal e fico pensando que todos vivem em harmonia, exceto nós os animais “racionais” que causamos mais mal do que bem ao planeta. Acho que ser racional para a maioria é ser experto. Essa esperteza vem causando um desastre incalculável tanto no plano material, quanto imaterial. Penso até que nós os seres humanos ainda estamos em fase de animal bruto, pois o instinto ainda aflora. Acho que somos quase gente!! Para mim o que acontece é a falta de re-ligação conosco , a tão falada fé.. Se tivessemos fé do tamanho de um grão de mostarda como dizia o mestre Jesus, certamente seríamos mais felizes.

  2. Pingback: Apenas Diferença Cultural? « Satyagraha

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