Dúvidas Existenciais


Tem uma colocação de Gandhi que eu nunca entendi. Transcrevo-a:

“O atalho para a purificação é duro de seguir e difícil de ascender. Para chegar a uma pureza perfeita terá que livrar-se de toda paixão em nossos pensamentos, em nossas palavras e em nossas ações. Além disso, terá que saber elevar-se por cima das forças opostas do ódio e do amor, da repugnância e da simpatia”.

Quanto à parte sobre ser difícil e tudo o mais, e sobre domar as paixões, tá tudo entendido. Mas sobre essa parte de elevar-se acima dos opostos, não entendi. Isso não seria ser indiferente? Como seria elevar-se acima dos opostos? A alma que se purifica totalmente, não estaria livre dos opostos negativos? Então como ela se elevaria acima do amor, por exemplo? E para nós, reles mortais muito longe da perfeição, não seria negar nossa dualidade? Não entendi essa colocação. Já pensei, repensei e não entendi o sentido da colocação. O que será que ele quis dizer com isso?

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2 comentários sobre “Dúvidas Existenciais

  1. Eu acredito que “saber elevar-se acima dos opostos” quer dizer ter a visão holística das coisas, como somente os espíritos superiores têm. Ou seja, ver a unidade, o todo integrado. Não haveria dualidade, como você mesma mencionou.

  2. Olá, Andrezza! :)
    Primeiro deixa agradecer pelos comentários! :)
    Um tempo depois que eu escrevi essa entrada, eu li minuciosamente a Bhagavad-Gita, e lá que eu consegui compreender um pouco mais essa frase de Gandhi. Era essa escritura que ele estudava, afinal, e tive uma dimensão maior dessa frase. Krishna, na Bhagavad-Gita, trabalha muito a questão do total desinteresse pessoal, ou como ele diz, do desapego aos resultados, a caridade em sua forma mais pura, mais até que o Evangelho. Foi só aí que eu compreendi que esse “estar acima do bem e do mal” se referia às intruções de Krishna à Arjuna, na Bhagavd-Gita, sobre desempenhar o dever diante da Obra de Deus, ser intrumento do Criador, sem esperar bons ou maus resultados, sem escolher, esperar ou até desejar um resultado que satisfaça à si mesmo. Estar acima das dualidades, como vc disse, ver acima do bem e do mal que vigora os seres e o mundo, para ver de uma forma onde a Fé e a Caridade mais pura se manifestam. Caridade porque trabalhamos sem esperar nenhum tipo de resultado que satisfaça-nos em qualquer nível, ciente de que estamos trabalhando para Deus, pelo coletivo. E Fé porque trabalhamos ciente de que, haja o que houver, a Vontade de Deus se imporá para a Ordem e a Harmonia, no tempo e no espaço que Ele, e não nós, achar mais propício.

    Penso que esse estágio que Gandhi se referiu de purificação é o mais difícil de conseguir mesmo, e até mesmo ele achou difícil, imagina a gente! :)

    Por enquanto tô só na teoria mesmo, porque desapegar nesse nível, à mim soa quase impossível! Imagina viver sem esperar nunca um resultado favorável? Tipo, educar os filhos sem esperar que eles sejam felizes, fazer trabalhos voluntários sem esperar que as pessoas sejam ajudadas, e até como Gandhi, que *não* conseguiu se desapegar à esse ponto, porque quando ele conseguiu a libertação da Índia, ele ficou super frustrado e entrou numa leve depressão, que gerou um jejum que quase o levou à morte, quando o resaultado de sua luta da vida toda resultou na guerra civil entre hindus e muçulmanos. Caridade já é difícil, imagina a Caridade Incondicional? :)

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