Símbolos, Chaves Psíquicas e Mente


om+shanti

Achei interessante parte de um artigo que li hoje. Fala sobre os símbolos e a teoria de Jung sobre eles.

“De acordo com Jung, o inconsciente se expressa primariamente através de símbolos. Embora nenhum símbolo concreto possa representar de forma plena um Arquétipo (que é uma forma sem conteúdo específico), quanto mais um símbolo se harmonizar com o material inconsciente organizado ao redor de um Arquétipo, mais ele evocará uma resposta intensa e emocionalmente carregada.


Jung se interessa nos símbolos naturais, que são produções espontâneas da psique individual, mais do que em imagens ou esquemas deliberada-mente criados por um artista. Além dos símbolos encontrados em sonhos ou fantasias de um indivíduo, há também símbolos coletivos importantes, que são geralmente imagens religiosas, tais como a cruz, a estrela de seis pontas de David e a roda da vida budista.


Imagens e termos simbólicos, via de regra, representam conceitos que nós não podemos definir com clareza ou compreender plenamente. Para Jung, um signo representa alguma outra coisa; um símbolo é alguma coisa em si mesma, uma coisa dinâmica e viva. O símbolo representa a situação psíquica do indivíduo e ele é essa situação num dado momento.


Aquilo a que nós chamamos de símbolo pode ser um termo, um nome ou até uma imagem familiar na vida diária, embora possua conotações específicas além de seu significado convencional e óbvio. Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além de seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem tem um aspecto inconsciente mais amplo que não é nunca precisamente definido ou plenamente explicado”.

Achei fantástico isso, porque muito pouca gente se dá conta da importência dos símbolos (imagens, palavras, nomes, lugares, músicas, etc) no nosso inconsciente. Temos provas do poder que os símbolos exercem no nosso psiquismo, e mesmo assim não damos a devida importância. Os símbolos podem ser “chaves psíquicas” muito poderosas. Podemos chamar de “chave psíquica” qualquer coisa que tenha a capacidade de abrir comportas do nosso subconsciente, trazendo à tona lembranças e emoções já esquecidas. Como exemplo posso citar o cheiro, porque ele é uma “chave psíquica” poderosa para meu psiquismo. Minha mente, e creio que muitas outras, associa situações, pessoas e épocas com o cheiro, de forma que, se aos 30 anos eu sinto o cheiro do perfume que eu usava aos 15 anos, minha mente faz uma “viagem no tempo”, e eu me lembro de situações, de pessoas, de emoções, daquele período, que estavam esquecidas.

Além dos símbolos serem “chaves psíquicas”, não podemos esquecer das egrégoras que são acionadas por determinados símbolos do inconsciente coletivo. Há quem ache tudo isso supertição (no caso dos espíritas, penso que aqueles que assistiam Kardec, deviam ter aprofundado mais o assunto, mas colocaram de tal forma, que muitos espíritas entenderam como supertição ou bobagem. Mas isso só ajuda aqueles espíritos interessados em manter uma técnica poderosíssima de domínio mental,  desconhecida), mas de supertição não tem nada, como mostrou Jung que estudou e revolucionou a Psicologia com as teorias dos Símbolos, Arquétipos e Inconsciente Coletivo. Um amuleto, *fisicamente* pode não ter nenhum valor espiritual, mas mentalmente ele é muito poderoso, *se a pessoa assim crer*. Realmente ele não tem nenhum poder sobrenatural, mas pode acionar, na mente da pessoa, clichês mentais fortíssimos emocional e psiquicamente. Daí que, um crucifixo não tem poder nenhum, mas pode acalmar uma pessoa em crise, porque *a mente dela* associa aquele símbolo à sensação de segurança, calma e paz. Claro que é uma “muleta mental” e que ela não precisaria do crucifixo para conseguir o mesmo efeito emocional, no entanto, esse tipo de condicionamento não se perde da noite para o dia, mesmo entre aqueles que dizem que tudo isso é supertição, porque há clichês mentais que datam de milhares de anos na nossa mente, que é tão velha quanto nosso Espírito, e o encarar como supertição, tirando do assunto todo o interesse de aprofundamento, não soluciona. Até que se consiga realmente libertar a mente de condicionamentos, muitas vezes milenares, demora bastante, e acho bem difícil que se consiga em uma vida. Conscientemente a pessoa diz “isso é bobagem, condicionamento”, mas no inconsciente dela as coisas não funcionam assim, e tanto é que ela continua sonhando todas as noites com imagens que simbolizam suas emoções. Uma mente pura de condicionamentos ainda é uma utopia para quase todos os seres-humanos deste globo, portanto, tratar o assunto como “crendice popular” é negligenciar uma parte muito ativa da nossa psiquê, que age no nosso emocional e psicológico diária e silenciosamente.

Outro exemplo, a pessoa está na faculdade e o professor pede que façam um trabalho sobre a inquisição. A pessoa vai fazer e começa a ler e ver imagens, e “do nada” ela começa a ter pesadelos terríveis com aquelas cenas que andou estudando, mas acha natural, já que andou estudando sobre. Depois, passa a ter verdadeira fobia de passar perto de Igrejas, mas entende isso como normal depois de “conhecer o lado negro” dela. E mais um pouco à frente, depois até de tempos após o trabalho, desenvolve um estado emocional doentio sem que ninguém entenda porquê. Passou a ter medo sem motivo. A ter sudorese, taquicardia, insônia, mania de perseguição. Diagnostica-se uma síndrome do pânico, que melhora com os medicamentos, mas não se cura. Ela fica dependente de remédios por longos anos. No centro espírita já a colocam numa sessão de desobsessão, e não duvido que venha algum galhofeiro dizer que no passado ela foi um inquisidor que o matou, e agora ele está alí para se vingar, e por isso ela está daquele jeito. Mas nenhuma desobsessão resolve. Até que um dia, uma pessoa lhe sugere fazer terapia de vidas passadas. Ela acha besteira, porque nem acredita muito em terapias assim. Mas como já tentou de tudo e nada adiantou, ela então vai. E nas sessões o seu drama começa a desenrolar-se. A sua mente, com o clichê assionado desde que fez aquele trabalho para a faculdade, sem dificuldade volta ao passado espiritual, num momento em que *ela estava sendo torturada nos porões da inquisição*. Aquele trabalho da faculdade “puxou” de sua mente espiritual, com alguma imagem que ela viu, ou alguma  descrição que ela leu, que fez o papel de “chave psíquica”, a lembrança de um trauma terrível de uma de suas vidas. Com a ajuda do terapeuta ela entende o que aconteceu, “coloca tudo no lugar”, compreende que tudo aquilo ficou no passado, cura-se do seu trauma e da inexplicável síndrome do pânico e do medo de passar perto de Igrejas também.

Existem milhares de casos assim em todo o mundo, em que situações cotidianas e banais, como viajar para um lugar onde viveu-se fortes emoções em outras vidas, ou ler um livro que rememore e “puxe” alguma lembrança *inconsciente*e adormecida da mente, ou ouvir uma música que lhe remeta à um período traumático – as “chaves psíquicas” podem ser mil coisas -, acionam clichês mentais traumáticos ou emocionalmente intensos, dessa vida ou de outras.  Quem nunca sentiu um certo devajù emocional ao ler um livro, ouvir uma música antiga, ver um filme épico, entrar em contato com alguma cultura antiga? Ou viajar para um lugar e derepente começar a se sentir “outra pessoa”?

Isso tudo é natural, mas há um lado ruim, quando acionam períodos antiguíssimos, onde éramos piores que hoje, mais “malzinhos que bonzinhos”, e que nosso emocional revive. E nesses casos a pessoa pode começar a ter comportamentos que ela já não tinha e nem deseja mais ter, como a violência, por exemplo. E igualmente não entende porquê, ou pensa que aquilo é estresse ou falta de esportes, embora hajam acontecido em sua vida situações e períodos de estresse, mas nem por isso, ele violentou sua esposa, filhos ou parentes. Ele diz: “fiquei assim desde aquela viagem à Inglaterra”. Sente que aquela viagem não lhe fez bem, mas não tem a menor idéia do porquê. Tenta encontrar os motivos, e pensa que é uma coisa ou outra, mas nunca passa pela sua mente que esse ímpeto violento começou quando ele visitou um Museu que retratava o domínio dos Saxões. Ele fora um deles, e ao rever os objetos, os nomes das guerras, dos generais que viraram lendas entre eles, ele retornou parcialmente àquela sua antiga vida, e retomou um traço que era uma das principais caracterísitcas do seu povo naquele período, a violência.

Não raras vezes esses acionamentos são revividos por mentes externas com o fim de nos desequilibrar, como por exemplo, nos fazendo lembrar *emocionalmente* de um período em que nos sentíamos tremendamente culpados por um crime cometido. E nosso emocional começa a reagir de forma doentia a situações que, no nosso normal, não reagiríamos daquela forma. Por exemplo, aceitamos com passividade violência doméstica, ou situações que nos humilham e rebaixam. Podemos chegar ao ponto de justificar das formas mais absurdas as atitudes violentas ou desrespeitosas contra nós. Podemos mascarar de humildade nossa, de compreensão e amor incondicional de nossa parte, mas no fundo é um sentimentos muito profundo de culpa, que guardamos de vidas remotas, e que foi acionado por algum clichê mental, ajudado ou não por uma mente externa. A terapia, nesses casos, nem precisa ser de vidas passadas, porque a pessoa precisa compreender o absurdo das suas reações diante do que é psicologica e emocionalmente saudável, e isso, um bom terapeuta pode fazer. Ajudá-la a tirar as máscaras e mecanismos de fuga, e depois fazê-la sentir-se digna de respeito e amor.

Enfim, as “chaves psíquicas” podem ter mil faces, dentre elas, sem dúvidas estão os símbolos, e não são apenas supertição, mas poderosa ferramenta de acionamento mental-emocional, e também de ligação com egrégoras que se formaram no inconsciente coletivo ao longo da história da humanidade. Isso quer dizer que, uma música, por exemplo, pode ter uma melodia linda, mas se na sua letra há uma frase ou até palavra que seja símbolo de ligação à uma das egrégoras sombrias do inconsciente coletivo, essa música pode ligar a pessoa à mentes completamente adoecidas que alimentam e se alimentam das energias daquela egrégora. Ou até a produção do vídeo, ou a roupa do cantor, ou qualquer expressão artística que remeta à uma “idéia coletiva”, à qual lhe traga, inconscientemente, emoções escondidas na sua mente. Quem vai imaginar que uma música tão bonita pode ter um poder psíquico tão grande e negativo por causa de uma frase infeliz, porém que tem um poder de ligação muito grande à uma egrégora poderosa e sombria?

Quando penso nisso tudo e vejo o estado das Artes no nosso planeta, me dá tristeza e ao mesmo tempo penso em Jesus, no quanto foi sábia a sua recomendação de Orar e Vigiar sempre. E para tentarmos sempre termos “Olhos de Ver”. É essencial para vivermos com mais harmonia num mundo que é quase todo desarmonia, loucura e caos. E que parte desse caos é responsabilidade nossa, já que vivemos aqui muitas vidas, por milhares de anos, e de uma certa forma, deixamos em muitos lugares a nossa marca, que podemos encontrar com mil faces, ao longo da nossa jornada.

Por isso, penso, é tão importante que cultivemos o futuro sem buscar o passado. Que aproveitemos o presente para cultivar a saúde do nosso futuro e curar as feridas do nosso passado. Buscar nos sintonizar com egrégoras de saúde, paz, harmonia, espiritualidade superior, caridade, fraternidade. Sermos mais seletivos com a Arte que consumimos para alimentarmos nossa mente e nosso espírito. Enfim, que preenchamos nossa mente com novos clichês, aqueles que serão acionados no futuro e nos rememorarão a saúde, a alegria, a paz e o amor. Enchermos nossa mente de “símbolos curativos”, que são a Arte mais sublimada, a Religiosidade, as relações de afeto, as situações de bondade, amizade, amor, fraternidade. Nos mantendo em egrégoras saudáveis, formando em torno de nós uma aura de harmonia e paz, devido à nossa mente, aliada e preenchida pelo que é espiritualmente saudável.


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