Arte, Alimento da Alma


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Não tem muito tempo que a Humanidade está ampliando o conhecimento sobre as Artes de um modo geral. Antigamente a Arte era tida apenas como expressão de uma capacidade especial do ser-humano. Os artistas eram aqueles que estavam mais longe do mundo real, das coisas “realmente importantes”. No entanto o trabalho era admirado, porque a beleza sempre foi motivo de admiração e fascínio. Hoje nós já compreendemos alguns aspéctos da nossa condição de ser integral, dotados não só de uma máquina realmente insuperável como corpo, mas também de uma mente com capacidade inexplorada, imprevisível e quase totalmente desconhecida. E além do corpo e da mente, temos também toda uma gama de sentimentos e emoções, que nos capacita  interagir e impregnar o mundo de nossa individualidade, sempre única.

Nesse ponto começamos a entender a Arte como mais que a capacidade de produzir beleza. Começamos a entender que a Arte, por ser uma criação mais emocional que inteletual, tem um poder de fascínio diferente de outras criações do ser-humano, onde apenas o intelecto contribui. A Arte é uma Criação Emocional, é a expressão daquela nossa parte que é única, individual. No entanto, essa nossa parte única não é e nunca foi diferente de todas as outras. Temos afins. Seres humanos que também são únicos, mas que, por diversos motivos, se afinizam à nós, e por isso mesmo são tocados pela nossa capacidade “Criativa-Emocional”, ou seja, pela nossa Arte. Todo artista, portanto, tem um público. Quanto mais emocional ele for, mais ele produz fascínio, mais ele consegue penetrar na alma de seus afins, mais *energia emocional* ele gera. Podemos então dizer que o Artista é como um gerador de energia emocional, alguém que produz *matéria mental impregnada de emoção*. Aqueles que entram em contato com sua arte, portanto, consomem a sua produção, se ligam ao seu gerador de energia, alimentando-se dela.

Com isso entendemos que a Arte é mais que expressão de beleza, ela é também *alimento mental e emocional*, tal como o arroz e feijão são alimentos físicos. E é por essa razão que existe hoje o que chamam de Arte Curativa ou Arte Terapia, porque ela tem uma capacidade de penetrar o emocional e o mental humano de tal forma que é capaz de curar doenças psíquicas ou emocionais, como um remédio de matéria sutilizada e energética.

Depois de entender tudo isso, nos vem a pergunta: Que Arte estou consumindo? Toda Arte é saudável e faz bem ao meu emocional e ao meu psiquismo? Tal como nem todo alimento material faz bem ao nosso corpo físico, nem toda Arte faz bem para nossa mente e emoção. Por quê? Por diversos motivos, com todos eles começando pela matéria-prima, em outras palavras, pelas emoções do artista. Fazendo uma analogia podemos imaginar o sorvete. É delioso, todo mundo adora, é realmente uma obra-de-arte da culinária, no entanto ele não faz bem para a saúde porque entre suas matérias-primas há gordura saturada, responsável por diversas doenças que podem destruir nosso equilíbrio físico.

A mesma coisa acontece com a Arte, enquanto alimento emocional e mental. Uma música, por exemplo, pode ser realmente fascinante, pode ter uma técnica genial e uma letra literariamente perfeita, mas não é o intelecto do artista que consumimos, é a *sua emoção*. A matéria-prima de sua obra. Com qual o tipo de emoção ele impregnou o nosso alimento? O que se passa na mente dele? Como ele vive emocionalmente? Qual tipo de emoções ele gera? Em que circunstâncias ele criou? É isso que nos liga ao artista e o que consumimos. Posso dar o exemplo da 9ª Sinfonia de Beethoven como ilustração.

Todos sabem que Beethoven estava surdo quando compôs aquela sinfonia, que é sua obra-prima. Ela é grande e começa com uma harmonia linda, apenas com instrumentos. Depois ela vai ganhando contornos mais agitados, angustiantes, desesperadores, como algo que está preso e precisa desesperadamente sair e explodir. E no auge desse desespero, tudo vai se acalmando, se serenando para aos poucos ir surgindo algo meio indefinido, que vai tomando forma, até que explode uma beleza, uma harmonia, a mesma do início, mas muito mais bela, intensa, poderosa, incrementada por vozes harmoniozamente encaixadas com os instrumentos, fazendo uma sinfonia tão perfeita que é considerada uma das mais belas obras de arte produzidas na Humanidade. Não seria essa obra o retrato da superação de si mesmo e das próprias limitações? Não estaria claro, não só nos acordes, mas na emoção que nos penetra e quase hipnotiza, a ânsia de Beethoven em superar sua surdez e continuar fazendo o que ele mais amava? Percebemos a sua agonia, o seu desejo, a sua necessidade quase física de compôr, até que ele consegue superar-se, ultrapassar seu desespero e se acalmar, e aos poucos entrar em sintonia consigo mesmo, com sua capacidade de entrar em harmonia com a Beleza em sua essência, e então surge, aflora, explode dele mesmo algo que supera-o, que se transforma numa das expressões artísticas mais belas que essa humanidade já viu. Nós consumimos todo o drama de Beethoven e também suas emoções de superação extraordinária, quando nos deixamos impregnar pela 9ª Sinfonia. E é por essa razão que essa música é usada como terapia para pessoas que estão com problemas de auto-estima, que precisam se superar e se redescobrir.

Da mesma forma nós consumimos as emoções intoxicadas por energias negativas que são produzidas por mentes em desequilíbrio. E ao consumí-las, é como nos drogarmos de energias que corróem nosso psiquismo e nosso emocional, tal como alguns alimentos físicos destroem nossos tecidos e células. Quando estamos tristes é natural que busquemos, por afinidade, artes que traduzem a tristeza do artista. No entando isso é justamente agravar nossa tristeza, porque nos alimentamos do que nos está fazendo mal. Alguns artistas, quando alcançam determinado número de mentes que se afinizam ao seu “gerador de emoções”, à sua Arte, criam egrégoras poderosas que funcionam como ampliadores ultra-potentes de suas emoções. São muitas e muitas mentes alimentando-se daquela arte, consequentemente gerando um imenso gerador coletivo. E quem entra em contato com esse gerador, impregna-se mesmo se não se afinizar com aquela arte, porque o poder energético de todas aquelas mentes juntas tem um potencial muito maior que a sua mente sozinha. Por isso, por exemplo, que mesmo se uma pessoa não gosta de axé music, se ela vai à um show da Ivete Sangalo, ela sai de lá com a adrenalina à mil, no mínimo super animada. Vai continuar não gostando de axé e do som da Ivete, mas vai estar cheia de energia de alegria.

Além de tudo isso, a arte é uma forma poderosa de entrar em egrégoras já prontas. Como assim? Um artista, por exemplo, que coloque em sua arte símbolos que remetam à determinadas egrégoras, como passagens bíblicas, por exemplo, pode perfeitamente entrar na egrégora do Cristianismo e “arrastar” seu público para lá. Por isso algumas músicas têm um poder muito grande sobre o emocional da pessoa, mesmo quando o artista estava sem interesse algum de “doutrinar”, mas sim de ganhar dinheiro, porque o poder da egrégora supera e muito o poder da sua mente e das suas emoções. A pessoa ouve a música, mas impregnada pela egrégora, mais que pela emoção do artista, acaba por se sentir bem, quando as emoções do artista não eram lá muito boas. O mesmo acontece o contrário. Um artista que produziu algo com boas intensões, com emoções nobres e boas, mas usou na sua arte, símbolos que “arrastam” a sua criação e seu público para egrégoras já formadas, muito poderosas e que remetem à maldade, à violência, à escuridão das emoções. Suas boas intensões desaparecem em meio ao poder energético da egrégora, e uma arte que era para fazer bem, acaba fazendo mal ao público, ligando-o à mentes desequilibradas que alimentam aquela egrégora, por séculos inteiros até.

E é também por isso que artistas que fazem artes sofríveis e sem beleza ou harmonia,  mas que mesmo assim conseguem tanto público. Porque conseguiu, com uso de símbolos seja nas letras, acordes ou imagens, “arrastar” seu público à egrégoras já formadas e poderosas. Sabe aquela música terrível, mas que, por um motivo incompreensível, há qualquer coisa nela que te fascina e prende?

Por tudo isso deveríamos ser mais seletivos com a Arte que consumimos, tanto quanto o somos com os alimentos que comemos. No entanto, somos seres-humanos, e  tal como preferimos comer um toucinho gorduroso e correr o risco de infartar no futuro, podemos preferir não abrir mão do prazer em detrimento da saúde na hora de selecionarmos a Arte que consumimos. Um prazer que pode custar muito caro, e que poderia, com a educação dos sentidos, ser substituído por outros prazeres. É isso que fazem as grandes almas quando tentam educar seus sentidos, e  substituir os prazeres do mundo, pelos prazeres espirituais.

Qual o preço do seu bem-estar emocional e psíquico? Ele vale menos que uma música, um livro ou um filme, por exemplo? Essa é a pergunta que devemos nos fazer sempre quando estivermos consumindo Arte.

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