Sankhya – Índia Antiga


pc67Agora à tarde acabei de ler o livro de Sri Yukteswar, “A Ciência Sagrada”. Nem tenho palavras… Como disse H. Zimmer, o autor de uma das obras que é considerada uma das melhores de língua portuguesa sobre a Índia Antiga:

“Nós, ocidentais, estamos próximos da encruzilhada que os pensadores  da Índia já haviam alcançado cerca de sete séculos antes de Cristo.  Daí a verdadeira razão pela qual nos sentimos embaraçados e ao  mesmo tempo estimulados, inquietos ainda que interessados, quando  nos deparamos com os conceitos e as imagens da sabedoria oriental”.  (H. ZIMMER: 1991,17 – Filosofias da Índia)

É assim que me sinto enquanto estudo as escrituras, filosofias e sábios da Índia. Aquela sensação de “nossa, eu pensei que aquilo que eu acreditava ser o que havia de mais moderno em espiritualidade, já era conhecido, estudado e aprofundado pela Índia desde há cerca de 6.000 anos atrás!”

E absolutamente ainda não vi nada que eu pudesse dizer que veio de ‘espíritos ignorantes e primitivos’, muito pelo contrário! A psicologia profunda era já conhecida e aplicada com técnicas que nós, ocidentais, estamos começando a engatinhar. Percebi isso lendo o livro do Sri Yukteswar e a Autobiografia de Paramahansa, que foi seu discípulo. Sri Yukteswar era um psicólogo nato, brilhante na aplicação da psicologia entre seus discípulos. Ele tinha uma capacidade expetacular de “quebrar o ego” e tirar todas as máscaras de quem quer que fosse com sua imensa autoridade moral e lucidez espiritual. Então quando acabei de ler o livro, fui pesquisar sobre a fonte das suas palavras, a Sankhya, e através da Wikpédia, descobri uma tese de Mestrado maravilhosa, de Lílian Gulmini, da USP, sobre o Yoga da Índia Antiga, a “tal” Sankhya. Estou maravilhada com o trabalho dela, de 464 páginas, maravilhosamente escritas. Tenho que destacar um trecho em especial, porque ele descreve exatamente a minha impressão ao estudar essa cultura tão rica:

“Uma destas diferenças é o fato de que não há, na cultura da Índia antiga uma separação nítida entre os campos discursivos da religião (discurso ideológicos e subjetivo) e da ciência (discurso lógico e objetivo). O elemento místico ou sagrado é parte ou pressuposto nas demais especulações da cultura, e por esta razão deve ser levado em consideração na leitura de seus textos, mas este fato não impede – como a princípio poderíamos supor – que a cultura atinja refinados sistemas de pensamento lógico e sólidos padrões de um conhecimento de mundo dito “objetivo”. Provam isso seus tratados de medicina, matemática, astronomia, gramática, direito, e, como veremos no relatos desta pesquisa, algumas de suas teorias do conhecimento e das estruturas mentais de apreensão do conhecimento do homem, ou o que traduziríamos hoje por teorias de psicologia profunda”. (Lílian Gulmini, – Prefácio, 11 – “O Yogasutra, de Patañjali – Tradução e análise da obra, à luz de seus fundamentos contextuais, intertextuais e lingüísticos” – Tese de Mestrado – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP).

Penso em Kardec e lamento profundamente que ele não tenha tido a oportunidade de conhecer um Mestre Yogue indiano, daqueles como Sri Yuketeswar ou seu guru, Láhiri Mahásaya. Muito do que ele só pôde começar a teorizar na “A Gênese”, estaria disponível para ele estudar e conhecer, *na prática*. Fora a questão do autoconhecimento seguido da libertação do ego e iluminação da alma, que é o grande objetivo da Krya Yogua. Mais interessante, profundo e objetivo que “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que dá uma “namorada” bem grande com o Catolicismo pós-inquisição.

Depois de tudo isso me pergunto: por que motivo misterioso toda essa riqueza cultural milenar, à qual o ocidente está começando a resgatar desde há mais ou menos 200 anos (especialmente através do Espiritismo e da Psicologia), ficou preservado e intacto, ao longo da nossa história de destruição e barbárie? Por algum motivo, que Deus deve saber, essa cultura multi- milenar tão maravilhosamente atual e moderna (e diria futurista também!) não foi violada pelos Romanos e nem pela Igreja Católica, que foram, juntos, os responsáveis pela aniquilação de quase toda cultura antiga do mundo ocidental.

Bem, deixa-me continuar com a leitura da “Autobiografia de um Yogue” de Paramahansa, que agora é o horário reservdo à essa leitura. Me dá tanta paz ler essa obra! Ouço nos recônditos da minha alma, uma voz suave e doce, que está no limiar da voz masculina e feminina, infantil e adulta, como se ela, de tão pura, não tivesse contornos de gênero ou idade. Essa voz, que escuto nas profundezas da minha mente, narra-me essa obra tão linda, enquanto meus olhos registram suas letras.

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2 comentários sobre “Sankhya – Índia Antiga

  1. Olá Gabriel! :)

    Obrigada! Seria uma alegria uma gentileza assim! Muito obrigada! :)

    Abraços!

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