Quem manda?


11Uma das coisas que mais estou gostando da autobiografia de um Yogue, é a forma como ele fala sobre o “ser um espírito vivendo em um corpo”.

Quando estamos encarnados, nós nos confundimos com o corpo físico, e começamos a viver, interagir, escolher e sentir como se fôssemos um corpo, não um ser espiritual. E o que advém disso? Nós invertemos as nossas necessidades e objetivos. Usamos a matéria para satisfazer os desejos do nosso corpo, enquando os desejos da nossa alma ficam adormecidos e esquecidos.

Uma das coisas mais fantásticas e produtivas que vi na Yoga, foi justamente o trabalho prático que eles fazem de desvinculação mental da matéria. Trabalha a mente para ela atuar mais nas necessidades espirituais que materiais. Tem uma passagem que é até um pouco engraçada. O Paramahansa estava na casa de um outro guru e ficou 24 horas sem se alimentar, por ordens do guru. Ele já não estava mais aguentando de tanta fome quando foi falar ao guru que precisava comer. E o guru: “- Você não está com fome. Quem está com fome é seu corpo. Não é ele que deve mandar em você, mas você que deve mandar nele.”

Muito simples e real, afinal, não é nosso corpo que comanda o espírito, mas o oposto! No entanto, em muitos momentos da nossa vida de encarnados, é o nosso corpo que manda no nosso espírito, nos escravizando. E nós, espíritos, nos viciamos na matéria à tal ponto de continuarmos viciados mesmo após o desencarne. A yoga tem como um dos principais objetivos, retirar isso da teoria e colocar em prática através da reeducação mental dos yogues. Com a meditação e a disciplina diária de trabalho mental, o yogue passa a ser dono do seu corpo e a lhe ditar as ordens, não o oposto. As necessidades do corpo não são confundidas ou priorizadas às necessidades espirituais.

O corpo passa a ser instrumento apenas, como ele de fato é, não o dono da nossa mente e de nossos desejos. A maioria das religiões que existem, têm essa filosofia e entendimento, mas é a primeira vez que vejo uma filosofia ter isso, não só como teoria e conselho, mas como *prática* cotidiana, tanto quando é a prática de rituais ou orações nas religiões. Enquanto que nas religiões pratica-se rituais e preces, na Yoga pratica-se o trabalho de desvinculação mental do espírito com a matéria, nos menores detalhes da vida, além da meditação.

Usando o exemplo do Parahamansa. Ele vai sentir fome, mas quando *ele* quiser se alimentar, não quando o corpo reclamar. Trabalho puro de reeducação mental. Excepcional!

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