União de Mestres


Realmente impressionante a vida e os ensinamentos de Láhiri Mahasaya, Guru de Sri Yukteswar. Ainda não consegui encontrar o ponto onde ele poderia ser inferior ao Cristo, em sabedoria e feitos. A nossa mente é condicionada à crer, acima de tudo, desde o nascimento, que acima de Jesus só há Deus, e a mera imaginação de terem passado outros como Ele pela Terra, nos causa uma estranheza que é difícil de “superar”. Analisando friamente, destituída de emoção ou apego místico, não consigo encontrar diferença entre eles, seja nos ensinamentos, trato com os discípulos e pessoas, seja nos milagres e domínio da matéria. A única diferença é a forma da missão, ou seja, roteiro da missão. Um teve a missão de cumprir as profecias para se fazer reconhecer como o Cristo prometido que vinha sendo anunciado à séculos. E em cada passo cumpriu as profecias desde antes do nascimento, com a mãe virgem, até depois da morte, com a ascensão. Já Láhiri Mahasaya tinha a missão de mostrar ao homem moderno que ele não precisa abandonar o mundo para se iluminar, que ele podia ter família, emprego e viver harmoniosamente na sociedade, sendo-lhe útil ao progresso, e ao mesmo tempo se iluminar e estar em contato contínuo, em todos os passos, com Deus, o Pai Eterno. Cada qual com a missão que mais seria útil aos seus contemporâneos.

Agora tenho que destacar o trecho de um ensinemnto de Láhiri Mahasaya, que achei absolutamente sábio, por experiência própria, e que, infelizmente aprendi pelo sofrimento, não porque tive a sorte de encontrar um Guru como esse, tão sábio, no meu caminho:

“O grande guru ensinou seus discípulos a evitarem discussões teóricas das Escrituras. Sábio é quem se devota a realizar, não só a ler, as antigas revelações disse ele. – Resolva todos os seus problemas através da meditação. Especulações improfícuas, troque-as pela autêntica comunhão com Deus. Limpe sua mente do entulho teológico, repleto de dogmas, deixe que nela penetrem as águas frescas, curativas, da percepção direta. Harmonize-se com o ativo Guia interno; a Voz Divina tem resposta para todo dilema da vida. Embora a habilidade humana para meter-se em dificuldades pareça inesgotável, o Socorro Infinito não é menos inexaurível.”

Maravilhoso…! Embora ele organizasse numerosos grupos de estudo das escrituras indianas, elas eram instrutivas, não especulativas. As pessoas eram instruídas, refletiam sobre os ensinamentos, mas não ficavam discutindo suas reflexões pessoais entre si, porque a forma como cada qual entende é a melhor apenas para si mesmo. O que achei mais fantástico foi ele incentivar à buscar trocas de reflexão da união direta com Deus. Ou seja, se nos instruimos sobre um ensinamento e dele vêm dúvidas, em vez de tentarmos debater e discutir nossas dúvidas e “certezas” com outras pessoas que, apesar das aparências, sabem tão pouco quanto nós, tentarmos comunhar com Deus pela oração e meditação, e buscando Dele, diretamente, as respostas que buscamos, a aplicação do nosso entendimento, e as melhoras formas de resolvermos os problemas e as soluções. Todos os filhos de Deus têm condição de comunharem com o Pai, nós é que nos condicionamos à termos intermediários, sejam eles Mestres, Santos ou Espíritos Protetores e Superiores. Nós mesmos nos relegamos à condição de órfãos. Nos fechamos num orfanato ilusório, criado pela nossa percepção de inferioridade e indignidade, conscientes de que somos filhos pródigos, e para nos suprir a necessidade de um Lar, passamos a vida buscando um “outro Pai”, quando o nosso Pai Verdadeiro nos espera em casa. Esses “outros Pais” não fazem nada mais que nos guiar para casa. Mas nós, se nos conscientizamos do nosso *Direito ao Lar Divino*, fazemos como o filho pródigo da parábola de Jesus, que ainda consciênte de sua inferioridade e indignidade, mesmo assim volve à casa Paterna, e é recebido com muita Festa!

Uma das maiores provas da superioridade de um Mestre Espiritual, na minha concepção, é quando ele ensina seus discípulos à serem independentes espirituais. Ensina-os e encaminha-os para que ele seja tão unido à Deus, que não precise de nenhum outro guia, que não seja ele mesmo em comunhão com Aquele que é Pai de todos. É o desprendimento da sua própria condição de Mestre. Isso é raro. Um Mestre que ensina seus discípulos à não precisarem de Mestres, pois que são também aptos à comunharem com a Sabedoria Infinita. Nesse ponto, em especial, ouso ter um pensamento que, pela minha mente condicionada, soa como herético. Pelo que sabemos, parece que Jesus fez justo o contrário. Deixou seus discípulos e seguidores, dependentes Dele, não só para encontrarem Deus, como também para caminharem. Então vem a pergunta que não quer calar: Por quê Ele fez isso?  *Refletindo sinceramente – uma pequena pausa* … … … Talvez porque Ele tinha consciência que ainda não podíamos caminhar sozinhos. Pelos nossos desejos mesquinhos e inferiores, não encontraríamos Deus em resposta à nossas súplicas nascidas do egoísmo e orgulho, mas forças invisíveis bem opostas…

Me parece, intuitivamente, que Jesus quis nos levar pelos braços em segurança até que tivéssemos condições de darmos os primeiros passos sozinhos, como o Pai que leva o bebê no colo enquanto ele ainda nem aprendeu a engatinhar. Nós estamos aprendendo a engatinhar agora. Estamos tendo, à nível de humanidade, os primeiros lampejos de Amor Universal. E para aqueles que desejam “ganhar o mundo” da sabedoria, do amor e da virtude espiritual, já passam a precisar de um Mestre exatamente como Lahiri Mahasaya, que ensina o discípulo à ser Uno com o Criador, sem precisar de intermediários. Quando o ser-humano está pronto para se despir de suas ilusões e desejos contrários ao amor, quando ele deseja verdadeiramente encontrar sua origem Paterna, seu verdadeiro Lar, ele pode ser “entregue à Deus” pelos grandes Mestres, os “Pais Adotivos”. Então no caso desses Mestres, uma aparente contradição, pode ser na verdade uma perfeita comunhão, onde eles não se contradizem, mas se complementam.

Divino…!


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