Natureza Divina – Bhagavad Gita


Krishna_Arjuna2Eis uma das maravilhas da Bhagavad-Gita, escrita 4 séculos antes de Cristo, em diálogo entre Krishna e Arjuna:

“A Suprema Personalidade de Deus disse: Destemor, purificação da própria existência; cultivo de conhecimento espiritual; caridade; autocontrole; execução de sacrifícios; estudo dos Vedas; austeridade; simplicidade; não-violência; veracidade; estar livre da ira; renúncia; tranqüilidade; não gostar de achar defeitos; compaixão para com todas as entidades vivas; estar livre da cobiça; gentileza; modéstia; firme determinação; vigor; clemência; fortaleza; limpeza, estar livre da inveja e da paixão pela honra – estas qualidades transcendentais, ó filho de Bharata, existem nos homens piedosos dotados de natureza divina”. (XVI – 1-3)

Cultivar todas essas virtudes é encontrar a paz, simplesmente isso… Se em todas as nossas ações, interrogarmos à nós mesmos se estamos fazendo-as de acordo com essas virtudes apresentadas por Krishna, estaremos dando um excelente passo para o melhoramento íntimo. Quantos de nós conseguimos ter uma conduta tão reta quanto essa, nos mínimos detalhes, diariamente? Não é fácil. Os passos da virtude são como os passos dos grupos de ajuda à dependentes. Viver 24 horas por dia, um dia de cada vez. Só assim conseguimos ir acoplando em nossa alma essas virtudes, substituindo os vícios que nos são tão naturais, por elas. Até que elas começem, pouco à pouco, à serem nossas atitudes naturais. No início é difícil, desejamos desistir e esquecer, como todo viciado em más tendências. Só com a perseverância, com a firmeza e obstinação em se auto-melhorar e colocando esse como o objetivo primeiro da vida, é que consegue-se tal grau de compromisso ao ponto de não sucumbir no caminho. Não é fácil, como não é despir-se de qualquer vício, mas é tão compensador, e a paz que trás é tão perfeita, que após um tempo, a necessidade de praticar tais virtudes deixa de ser meta difícil, para ser prazer.

Com o tempo e a prática diária, um dia de cada vez, a nossa alma clamará por praticar as virtudes que no início eram tão penosas. No início praticá-las todo o tempo nos causa dor, nos causa mesmo sofrimento íntimo dos mais intensos, porque desfazer-se do ego, dos vícios aos quais nossa alma está acostumada, nos causa algo parecido com a crise de abstinência, mas temos que ser firmes, porque depois que a virtude entranha na nossa alma, se acopla à nossa estrutura mental e emocional, acontecerá fenômeno oposto. Sempre que não a praticarmos é quando sentiremos dor, sofrimento. O que antes era penoso, passa a ser necessidade essencial para bem-viver. E o vício que antes trazia prazer e comodismo, passa a trazer um terrível mal-estar e sofrimento. É das coisas mais lindas de ver, uma alma que antes sentia prazer no vício moral, passando a sentir prazer na virtude.

É o perfeito retrato da vitória do bem dentro do nosso próprio microcosmo…

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