Cristo Para Todos


3538716967_df28b3a233_oUm dia desses eu estava comentando com uma amiga o quanto sempre tive dificuldades de encaixar minha religiosidade com o cristianismo. Eu amava o Cristo, mas não conseguia ser cristã, no sentido de seguir alguma religião cristã. Na verdade eu sempre tive dificuldades de ter uma religião. O Espiritismo nem conto mais, porque há toda aquela controvércia de ser ou não religião, então dos 20 anos que passei lá, não sei se tinha ou não uma religião. Se tinha, de qualquer forma, ela era cristã, e isso não me era confortável, mas como eu amava as idéias de Kardec e a lógica dele me enternecia, e naquela altura eu não conseguia enxergar uma melhor ferramenta para meu progresso, eu aceitava o cristianismo. Mas ainda assim, eu não conseguia, tanto que minhas preces e minha fé sempre estiveram concentradas em Deus. Uma vez meu marido até me disse que, durante preces feitas à Deus, e não ao Cristo, ele percebia que as energias que emanavam de mim eram muito mais intensas.

Até que à pouco tempo, eu encontrei-me com o Cristo fora do Cristianismo, e pude compreender em toda minha alma, com uma intensidade ímpar, que Ele está em todo lugar, que é onipresente nesse planeta de tal forma que está muito, mas muito acima de sua encarnação enquanto Jesus. Ele e Deus para mim são um, afinal. Ele é para mim muito mais que Jesus ou Evangelho, ele é o Cristo. Minha porta para Deus, e ao mesmo tempo um dos meus Mestres para aprender por mim mesma a abrir essa porta. Não Jesus, mas o Cristo. As palavras e os exemplos de Jesus eu encontros em muitos outros Mestres, mas o Cristo, não. Ele é a própria palavra, que se expandiu em todo lugar, através de vários Mestres, e de si mesmo, quando foi Jesus. Fiquei em paz com Ele, encontrei-o dentro de mim, aceitei-o como caminho, verdade e vida, só quando, enfim, tirei-o do reduto reducionista dos 4 evangelhos e da religião cristã, para ampliá-o como Cristo de toda a Humanidade, presente em todo lugar, especialmente dentro do meu coração, junto às minhas necessidades espirituais, mais afinizadas com o Oriente. Onde eu for no mundo ou fora dele, com ou sem religião, ele estará comigo, tal qual Deus, nosso Pai, pelo Qual trabalhamos todos juntos, nós, o Cristo e todos os Mestres. Falei mais ou menos isso para essa minha amiga ante-ontem, e hoje, procurando frases de Yogananda, deparei-me com uma colocação que enterneceu-me de tal forma. Foi como se eu tivesse lido minhas próprias palavras de ante-ontem. Ele resumiu tudo em uma única frase:

“O que Jesus Cristo percebeu, nós também devemos experimentar. Ele não ensinou que deveríamos adorá-Lo como uma personalidade mas, sim, experimentar o que Ele vivenciou em Sua união com Deus. Isto só pode ser alcançado pela meditação (comunhão com Deus) e pela obediência às Leis de Deus. Adorar a Jesus porque é Jesus não basta. Temos que abraçar os ideais universais que Ele pregou e lutar para sermos iguais a Ele”.

Exatamente isso. Não é Ele enquanto Jesus que importa, posto que como ele, no papel de Mestre e divulgador do amor, houveram muitos. O que importa é a união dele com Deus, e o quanto Ele pode ser um caminho perfeito para nossa própria união com o Pai. Mas como conseguimos isso? Apenas adorando-o? Não penso que Ele deseje adoração, pedestais, veneração e idolatria. Esse tipo de coisa agride as almas tão humildes como a Dele. Só o que ele deseja é que lutemos para ser como ele, e sendo como ele, encontremos o Pai, ao Qual ele anseia nos entregar. É lutando para sermos melhores, para amarmos à Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, expandindo esse amor em obras e atitudes que possam servir aos semelhantes, é que estaremos realmente deixando-o feliz conosco. Adorá-lo e venerá-lo enquanto Jesus, apenas, é o mesmo que dar à ele um lindo embrulho de presentes, com a caixa vazia. E aquele que, adorando ou não a encarnação como Jesus, sendo ou não cristão, segue seus exemplos e permite que Deus se utilize de si e ame através de seus atos e obras, é que dá à Ele as maiores alegrias e os presentes valiosos. Comunhar com o Cristo não é ser cristão, comunhar com o Cristo é aceitar o papel e as responsabilidades de ser Filho de Deus. Mais que isso, comunhar com o Cristo é amar à Deus e à Humanidade. É amar a centelha do Criador dentro de nós mesmos, e trabalhar para que ela brilhe e frutifique cada vez mais. E isso podemos fazer aceitando nossa espiritualidade da forma que sentirmo-nos mais felizes e em paz com nosso íntimo, dentro ou fora das religiões.

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