Amar-se!


gayatri-om-bhur-bhuvah-svaha-tat-savitur-varenyam-bhargo-devasya-dhimahi-dhiyo-yo-nah-pracodayatMuitas pessoas perguntam o que é o auto-amor. Algumas dizem que é “aproveitar a vida” com felicidade e tranquilidade, sem permitir que o sofrimento lhe alcance. Outros dizem que é pensar primeiro no próprio bem-estar, na própria felicidade e buscar o sucesso na vida. Outros dizem que é se valorizar e ficar cada vez mais bem de vida. Agora, há o que mais dizem sobre o auto-amor, que é nos aceitarmos como somos, auto-respeitando-nos enquanto criaturas limitadas e imperfeitas também, ou seja, aceitando e bem-vivendo com nossa dualidade.

Esse pensamento é muito bom, realmente excelente, mas esse é só o primeiro pequeno passo do auto-amor. A linha tênue que separa nossas luzes e nossas sombras. O limiar entre a zona de conforto e a superação. É, na verdade, a parte mais delicada do processo, porque um passo em falso nesse degrau e nós caímos em vez de subirmos.

Porque, vejamos, ao tirarmos nossas máscaras, praticarmos o autoconhecimento, nos reconhecemos como seres cheios de imperfeições e emoções negativas. Quando assumimos, por exemplo, uma emoção ruim, ou quando nos descobrimos sendo egoístas ou orgulhosos em algumas atitudes. Compreendemos e reconhecemos nossa sombra. Isso é fundamental. À partir daí todo cuidado é pouco, seja para não nos mascararmos outra vez, seja para não fazermos desse conceito, a  nossa zona de conforto.

Temos que ter cuidado quando, ao aceitarmos e acolhermos uma sombra, não nos venha a “paz” de sermos seres limitados e por isso, com direito ao auto-respeito de parar na nossa limitação. Ou a “tranquilidade” de, por respeito às nossas limitações, nos vermos no direito pseudo-saudável de deixarmos sombras pendentes dentro de nós. Esses são os primeiros passos para aceitarmos a sombra como nossa realidade e zona de conforto.

Então podemos nos perguntar: Ela não é nossa realidade? Não faz parte de nós, do nosso conjunto dual ao qual devemos aceitar e amar? A resposta é não. Não, a sombra não é nossa realidade, menos ainda faz parte de nós. Nós somos filhos de Deus, nossa realidade é a Luz, e é a centelha de Deus que faz parte de nós. As sombras são ilusão, tanto que são passageiras. Habitam em nós por um determinado tempo, mas não são parte de nós, tanto que nós sobrevivemos à elas para vivermos, um dia, na realidade de luz imortal. Portanto, ao tirarmos as máscaras, ao descobrirmo-nos com sombras, ao encararmos corajosamente uma má emoção, temos que ter em mente que essa realidade não é nossa, que a sombra não é parte do nosso conjunto, por isso mesmo, temos que lutar constantemente, diariamente, para eliminá-las de nós.

Isso é auto-amor e auto-respeito. Auto-amar não é aceitar e acolher as sombras que temos dentro de nós e termos paz apesar delas, tanto quanto não é praticar qualquer atitude contrária ao amor à Deus ou ao próximo. Auto-amar é reconhecer essas sombras e lutar para extinguí-las. É não ficar, nem por um momento, confortável com elas. É não permitir que o conforto se confunda com auto-respeito. Amar-se é superar-se, é melhorar-se, é conscientizar-se da herança divina e lutar todo o tempo para que essa centelha brilhe e frutifique cada vez mais. Amar-se é dar tudo de si, superando as próprias limitações para que a sombra se dissipe. É dar aquele passo dificílimo *hoje*, sem deixar para amanhã, sem esperar qualquer coisa de qualquer lugar, sem encontrar motivos ou fugas para fazer consessões ao comodismo da sombra. Os limites foram feitos para serem superados, não para nos estacionar. E das superações mais lindas e gratificantes que somos convidados à fazer é a superação pelo auto-amor e auto-iluminação.

Portanto amar-se e respeitar-se é aceitar-se não como uma dualidade, mas como luz, centelha de Deus. Essa é a nossa realidade. O reconhecimento na nossa transitória dualidade é o primeiro passo da auto-iluminação, não o resultado dela. É o primeiro passo dos nossos sacrifícios mais pungentes, das nossas lutas mais difíceis, das nossas superações mais gloriosas e da nossa vitória espiritual, um dia.

Façamos como uma esmerada faxineira, que vê a sujeira, procura-a em todos os cantos e recantos, não para contemplá-la ou aceitá-la como parte integrante do ambiente, mas para limpá-la e dissolvê-la, à fim de trazer o brilho, a beleza e a realidade do ambiente à tona.

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