Karma e Amor


415px-samsara_001Estava me perguntando um dia desses porque minha alma passou a “rejeitar” a Lei de Causa e Efeito, que vige em quase todo pensamento religioso da Terra. Ainda não sei muito bem. Talvez porque as experiências da vida me mostraram que a Lei do Amor é que vigora, acima de tudo, e que todo o Cosmo anda em sua direção, ou talvez porque eu ainda não consiga, realmente, compreender a Lei de Causa e Efeito segundo a interpretação que temos por agora. Pensei em muitas coisas, como por exemplo que talvez a Lei de Causa e Efeito só vigore enquanto a Lei do Amor não é seguida, ou seja, depois que a Alma escolhe, anseia e vive pela Lei do Amor, a Lei de Causa e Efeito não “lhe toca” mais, porque como disse o Cristo sabiamente, “o amor cobre a multidão dos pecados”.

Mas mesmo assim, isso não exclui o sofrimento e nem as consequências das nossas más escolhas. Por que? Penso que porque nós ainda confundimos muito o amor com fugas, máscaras e problemas psicológicos e emocionais de várias ordens. Uma pessoa pode se sacrificar por amor, doar-se inteira por amor, e lá na frente, após sofrer muitíssimo as consequências desse sacrifício e doação, perceber que encontrou o sofrimento e a ruína emocional, não porque amou, mas porque confundiu o amor com culpa, submissão e outras doenças auto-punitivas, que se transmutam em pseudo-amor para aliviar a carga consciencial. Fazemos tudo por uma alma à qual sentimos que devemos servir, mas no fundo não fazemos nada por ela, mas por nós, para aplacar nossa consciência. Isso não foi amor, menos ainda caridade. Qualquer coisa que façamos em prol de aplacar nossa consciência, é para interesse pessoal. E aí pergunto: E aqueles resgates terríveis de muito sofrimento e dor que algumas pessoas se impõe para aplacar a consciência, não seria totalmente dispensável se ela simplesmente mudasse “o foco de sua visão”? Auto-perdão, auto-amor. E então alguns podem dizer: “mas é o que ela necessita, é o que o íntimo dela precisa para ter paz”.

E então questiono: mas então porque não trabalhar com ela à fim de que ela sinta e veja a realidade, ou seja, que ela é Filha de Deus, e que deve se amar e não se culpar. Por que não disseminar a solução real para a Humanidade, em vez de ficar sendo “cúmplice” do auto-engano, do caminho mais longo, ao disseminar o sofrimento como solução para a consciência culpada? Uma coisa é compreender e respeitar a necessidade de alguém em escolher o que é contrário à Lei de Deus para ter paz de consciência, outra totalmente diferente é disseminar isso como solução saudável. E é o que acontece em muitos meios religiosos. Almas incentivando outras almas a sofrerem terrivelmente e suportarem todo sofrimento, não por amor, mas para *resgatar suas dívidas*, ou seja, para interesse pessoal. Sim, porque se fosse por auto-amor, ela escolheria o auto-perdão, seguido de obras e sacrifícios *pela obra de Deus*, no micro ou no macrocosmo, incluindo àquelas pessoas com as quais ela tem dívidas. Se sacrificar por alguém, não é permitir que ela te destrua porque um dia, no passado, você a destruiu.  Menos ainda aceitar todo tipo de tortura moral para resgatar suas dívidas com ela, posto que não será por ela, mas por si mesmo. Não é assim que funciona a Lei de Amor, infinitamente misericordiosa e amorosa. Trabalhar pelo bem de alguém à quem destruímos, não é sofrer o mesmo que ele sofreu, menos ainda sofrer nas mãos dele, não para ajustá-lo, mas para resgatar os débitos com ele. Isso é punição e interesse pessoal, não amor. E se é punição e interesse, está contra a Lei de Deus. E se está contra a Lei de Deus, então porque existem almas disseminando e incentivando isso como algo necessário e *certo*? Por que, ao invés disso, não começam a incentivar o Amor, apenas o Amor, como solução para nosso karma?

“- Ah, você é um verme e quer sofrer tudo que provocou de dor? É culpado pelo mau do teu próximo e quer sofrer para resgatar suas dívidas e aprender a respeitar os outros? Não, meu irmão, você não é verme, é filho de deus; não é culpado, é um aprendiz do amor; não tem que sofrer nada, só tem que amar à Deus, às criaturas e à si mesmo; não tem que resgatar dívidas, só tem que trabalhar para seu crescimento moral, e a consequência de tudo isso será a paz. Se você quiser ver pelo prisma de crédito e débito, que vigora apenas nas nossas Leis e não na Lei de Deus, então pensa só que você é imortal, e que um dia, quando só puder amar, você terá tantos, mas tantos créditos, que todo seu passado será pago automaticamente. Não precisa ter pressa de pagar nada, porque Deus não tem pressa, nem cobra juros e nem precisa do teu pagamento. Ele só quer que você seja feliz, amando! Pode acreditar, um dia você terá créditos em abundância para pagar todo mal que fez, e ainda te sobrará muitos créditos. Não olhe para trás, olhe para frente; não olhe para seus débitos, olhe para o bem que fará de agora em diante e lhe dará créditos automaticamente, sem que você precise sofrer para pagar. O sofrimento é professor, não agiota. Se você já compreendeu que provocou a dor e se arrependeu, para que vai sofrer por causa disso?” Simples assim…

Então reflito e penso que a Lei de Causa e Efeito não é uma Lei Divina, exatamente, porque ela não é imutável, posto que nós podemos modificá-la e até anulá-la quando amamos de fato. Penso que ela não é uma Lei exatamente, mas sim as consequências naturais das nossas ações. Se ela fosse Lei Imutável de Deus, o amor não a mudaria, não a apagaria, não a anularia, em suma, se a consequência do “pecado” fosse uma Lei Divina, o amor não poderia cobrí-lo. Por isso tudo penso que a Lei de Causa e Efeito não é Lei , menos ainda Divina, é só consequências de nossas escolhas, e está subordinada à nós, e só existe porque ainda escolhemos atuar contra a única Lei, no meu entender, que vige no Universo: a Lei do Amor.

Por esse pensamento acredito que aquela pessoa do exemplo acima, que doa-se e sacrifica-se por alguém pensando que a ama, mas o faz por culpa, está fugindo da Lei do Amor. Ela pode até estar fazendo o bem para o outro, mas e à si mesma? Se não é o amor que a guia nas suas atitudes com o outro, tampouco é nas suas atitudes consigo mesma. Por tudo isso, por mais que as religiões nos falem em cruz, sofrimento, sacrifício, karma, lei de causa e efeito e etc, nós temos que nos perguntar à todo momento: estou encontrando o que em resposta aos meus atos, a ruína emocional ou a paz interior? Sim, porque o sofrimento por amor, não trás ruína alguma, ele só trás a paz. Ele fortalece, não destrói. Se estamos sofrendo “por amor” e estamos encontrando a destruição (que também pode se refinar e mascarar) como resposta, então temos que pensar: é mesmo por amor? E o amor à mim mesmo, está vigorando?

Sim, porque o amor ao próximo jamais deve excluir o amor à si mesmo. Não foi à toa que o Cristo, enquanto psicólogo perfeito disse que tínhamos que “amar o próximo como a nós mesmos”. Se amamos o próximo e esse amor exclui o amor à nós, então é porque, sem dúvidas, não é amor que nos move, mas alguma fulga psicológica. O amor pelo próximo é consequência do auto-amor. Nós buscamos o Amor como alicerce de nossas ações porque aprendemos a nos amar, e desse auto-amor surgiu a necessidade de fazer parte da Harmonia do Cosmo, de estar em comunhão com Deus e sua Lei. É do auto-amor que surge a necessidade de se doar e sacrificar pelo próximo, porque quando nos amamos encontramos Deus em nós, e encontrando Deus em nós, automaticamente nós passamos a ser instrumentos do seu amor ao nosso redor, passamos a reconhecê-lo em toda parte, e consequentemente à amar toda Criatura, expressões que somos do Seu Amor.

O amor une, expande, trás paz, felicidade e comunhão, mesmo nos sofrimentos. Ele nos liga às criaturas através do próprio Criador, como se Ele, nosso Pai, fosse uma imensa teia de ligação entre Seus filhos, e a aderência dessa teia fosse o amor. Ele nos liga à Deus, que nos liga à todos, tanto quanto todos podem nos ligar à Deus. Não há sofrimento no amor, e se ele nos trás sofrimentos, temos que refletir muito bem sobre *nós mesmos*, porque certamente o problema está em nós, não no Amor. E temos que refletir e encontrar o que há à ser trabalhado e curado em nós, para que possamos usufruir do nosso direito aos benefícios do Amor, do nosso direito à Herança Divina, à nosso direito de sermos Filhos de Deus. E então, penso, o Efeito natural das nossas ações,vão lentamente dando espaço à nossa comunhão definitiva com a Lei de Amor, essa sim, efeito natural *de Deus*, não de nós.

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