Hábitos e Vícios


yinyang-moira-gil-johnCoisa difícil é nos despirmos de um mal hábito, daquele que nos faz mal, que controla nossa mente e nossa vontade. Os chamados vícios. Lembro que na escola, quando eu era beeeem pequena, aprendi a diferença de hábito e vício. Lá no livrinho de Estudos Sociais dizia que hábito é tudo aquilo que fazemos com disciplina e nos faz bem. E vício é o que fazemos com disciplina, mas nos faz mal.

Deveria ser simples, portanto, nos livrarmos dos vícios, já que temos consciência que eles nos fazem mal. Se nos amamos, se desejamos sermos melhores, se queremos paz íntima e bem-estar espiritual, então porque é tão difícil nos despir de um vício, ou até, substituir ele por um hábito? Yogananda tem um texto excelente sobre isso, que se chama “Criar Bons Hábitos e Destruir Maus Hábitos”, onde ele diz:

“A repetição de um ato cria uma configuração mental. Todas as ações são executadas mental e fisicamente. A repetição de um ato em particular e da imagem mental que o acompanha forma sutis caminhos elétricos no cérebro físico, como se fossem as ranhuras de um disco fonográfico. Após algum tempo, sempre que você puser a agulha da atenção nessas ranhuras de caminhos elétricos, ela toca o disco da configuração mental original. Cada vez que o ato se repete, essas ranhuras de trajetos elétricos se aprofundam, até que uma atenção mínima faz tocar, automaticamente, esse mesmo ato, cada vez mais.

Esses padrões fazem com que você se comporte de certo modo, freqüentemente contra seu próprio desejo. Sua vida segue ranhuras que você mesmo criou em seu cérebro. Nesse sentido, você não é uma pessoa livre. Em maior ou menor grau, é vítima dos hábitos que formou. Dependendo da profundidade desse traçados, você é, na mesma proporção, um fantoche. Você pode, porém, neutralizar as imposições desses maus hábitos. Como ? Criando em seu cérebro configurações mentais de bons hábitos opostos. E pode também apagar completamente, por meio da meditação, as ranhuras dos maus hábitos.

Você tem de curar-se dos maus hábitos, cauterizando-os com os bons hábitos opostos. Se tem, por exemplo, o mau hábito de mentir e, por causa disso, tem perdido muitos amigos, comece a praticar o bom hábito de dizer a verdade. Mesmo um mau hábito leva tempo para predominar, logo, por que se impacientar com o desenvolvimento vagoroso de bom hábito oposto? Não se desespere com os seus hábitos indesejáveis; simplesmente deixe de alimentá-los e fortalecê-los por meio da repetição.”

Parace simples, mas é bem difícil. Você torna aos vícios mesmo sem notar e desejando os hábitos que estabeleceu para substituir os vícios. Tem alguns vícios que doem quando estão sendo extirpados. Dói  se livrar deles, mesmo que esteja claro que ele te faz mal. O mesmo quadro de crise de abstinência pelo qual passa os viciados em drogas quando se internam em clínicas, também passamos quando tentamos nos purificar de um vício moral ou mental. Estão tão emaranhados e impregnados em nós, que  muitas vezes o praticamos conscientemente por sentirmo-nos, não confortáveis, mas incapazes de “viver sem eles”. Como diz Yogananda, precisamos mesmo de muita meditação para conseguirmos nos livrar deles, porque só com muita paciência, lucidez e disciplina, nós conseguimos.

Somos como bebês tentando dar os primeiros passos. Caímos e levantamos, caímos outra vez, choramos e levantamos de novo. Caímos, nos sentimos incapazes, quase desistimos, ficamos um tempo caídos, até que conseguimos coragem de levantar outra vez e continuarmos. Até que um dia, graças à nosso auto-amor, nossa persistência e obstinação na auto-iluminação, nós não caímos mais naquele vício e mais um pouquinho da nossa realidade de Luz resplandece da nossa alma.

Por mais difícil, trabalhoso e dolorido que seja, não podemos desistir de nós. Nós somos centelha de Deus, e lutar para que ela apareça cada vez mais, é o nosso trabalho primordial, nossa missão primeira, nossa meta essencial. Essa luta deve estar acima de todas as lutas, porque sem a vitória espiritual, não logramos vitória em nenhuma outra batalha da Vida. Para amarmos bem, para conseguirmos ser instrumentos de Deus e fazer o bem à quem amamos, temos que nos amar! E amar-se é auto-iluminar-se, é lutar por isso, sem jamais desisitir de nós mesmos. Cair faz parte do processo, mas ficar caído, não. Se cairmos, levantamos, quantas vezes forem necessárias, sem jamais esquecermos que somos Luz e que, haja o que houver, devemos continuar lutando por nós.

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