Hábitos e Vícios II


budaEstava pensando sobre o quanto é difícil se abster de um vício. Há quem diga que as vezes em que não pratica um mal ato que lhe era natural, sente-se muito bem consigo mesmo, sente-se vitorioso. Mas acho que isso já é um estágio mais avançado da “luta contra o vício”. Quando o mal hábito deixa de ser uma opção para a pessoa, mesmo em sua mente e necessidades, e quando ela não pratica, vê-se realmente livre e feliz. Mas há os estágios menos avançados, quando lutamos conscientemente contra um vício que nos é natural em todo nosso ser. Que “faz parte de nós”, mesmo que ilusoriamente. A ilusão da sombra é real demais em nossa mente e em nossas vontades. Quando não praticamos o ato infeliz, não nos sentimos felizes ou satisfeitos conosco, mas frustrados. “Puxa, era uma oportunidade perfeita…”, chegamos ao ponto de lamentarmo-nos. O vício é vício apenas no nosso sentido de ética, de moral e lógica, mas todo nosso ser sente prazer em praticá-lo, ainda sente-o como hábito, e se arrepende é de não praticá-lo. E são justo nesses momentos, de frustração e mal-estar durante o processo de auto-purificação, quando a luz cega nossos olhos acostumados com a escuridão, que resolvemos deixar para lá os esforços pelo auto-amor e abandonarmo-nos outra vez na zona de conforto de sempre.

Mas temos que ser persistentes e lutar por nós. Temos que ter em mente que desistir dos vícios num estágio desses, é o mesmo que insistir em nós, tal como o semeador que não desiste de cuidar da semente só porque ela ainda está debaixo da terra. Se ele não insistir em cultivá-la, como ela vai semear um dia? E o mal-estar que sentimos por não cedermos ao vício, é o mal-estar que podemos comparar à amargura de um remédio eficaz e necessário, que nos trará imensos benefícios e alívios posteriores. Dói, mas é a dor mais santa que podemos sentir… O sacrifício por nós, pela nossa iluminação. Como diz Sai Baba: “Fidelidade à verdade é a verdadeira penitência”. Fidelidade à nossa realidade de luz, sem trairmo-nos outra vez com as sombras que não são nossa realidade essencial, é a verdadeira penitência e um dos mais difíceis sacrifícios que podemos fazer. Não é sem motivo que o ser-humanos sempre tenta se anestesiar na matéria e fugir das necessidades espirituais. Não é sem motivo que o ser-humano tenta nem tomar conhecimento de suas necessidades enquanto Filho de Deus, lutando para não ouvir “o chamado”, deixando-se ensurdecer pelo barulho do mundo.

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