Alimentar-se de Oração


Ando lendo outra vez o livro “Trigo de Deus”, que é meu favorito de Amélia Rodrigues, pela psicografia de Divaldo Franco, e tem um capítulo que narra um diálogo entre Jesus e João, no qual eles falam sobre a prece. João, em sua curiosidade saudável sobre os atos do Mestre, fez-Lhe uma pergunta que penso, muitos de nós também devemos ter-nos interrogado intimamente: “Por que o Senhor precisa orar?”

Pensou, João, em sua curiosidade pura de discípulo verdadeiramente interessado em sondar mais um pouco o oceano de mistérios insondáveis do íntimo de seu Mestre, que Jesus por ser o Grande Condutor das Vidas, não necessitava de oração, já que todo Ele era um enlace constante e perene com nosso Pai Celeste.

Mas eis que Jesus lhe diz que é justo o contrário, que por Ele estar num Missianato tão importante, precisa estar constantemente se *nutrindo* na oração, haurindo-se no Alo do Criador, para representá-Lo perfeitamente junto às criaturas. Que a alma, quanto mais ligada à Deus, mais sente necessidade de alimentar-se Dele, mais sente-se atraída a nutrir-se de Seu Augusto Amor. Que a alma, de um modo geral, precisa mais de alimentar-se de prece, que o corpo de alimento.

João ouviu essas palavras do Mestre e entrou em profunda reflexão. Nós também temos muito que refletir, porque se analisarmos nosso dia-a-dia atribulado, gastamos muito mais tempo alimentando nosso corpo que nossa alma. Muitos de nós passam a vida toda sem nutrir-se uma só vez “de Deus”, na oração. Encará-la como Alimento Divino faz toda a diferença, até para entedermos que orar é muito mais que rogar, louvar ou agradecer, é também comunhar com Deus. É nutrir-se Dele. É encontrar forças onde elas escasseiam, é encontrar Amor quando julgamos não existir, é encontrar companhia, quando acreditamo-nos sozinhos.

E então pensamos: Quantas vezes eu me alimentei hoje? Café-da-manhã, almoço, lanche, janta e ceia. 5 vezes. E quantas vezes eu orei? Ao me levantar e ao deitar. 2 vezes… Se a alma precisa mais de oração que o corpo de alimento, então porque eu me alimento mais que oro? Qual o problema de orar mais vezes durante o dia? Para orar não precisamos nem mesmo sair do lugar onde estamos, posto que mesmo num ônibus barulhento podemos nos concentrar e interiorizar, para entrar em estado de prece. Não gastamos nada, porque a prece é gratuita. Não precisamos pedir permissão para ninguém porque, como disse-me meu esposo uma vez e nunca esqueci, a prece é um *direito* de toda criatura.

Depois de refletir nessas coisas penso que é mesmo verdade: por que não, orar mais? É de graça, é divino, alimenta, é um direito, enfim, só faz bem! E é tão bom! Todos já devem ter reparado, que quando oramos, sentimos uma paz tão perfeita, sentimos, mesmo que por momentos, aquele alívio espiritual, tal qual quando estamos sedentos e bebemos aquela água deliciosa. Nossa alma fica mais leve, nosso semblante mais sereno, e todo nosso ser fica mesmo saciado, de tal forma que sim, podemos mesmo dizer que a prece alimenta nossa alma. Alimenta, relaxa, fortalece. Penso que orar mais, no fim, devia ser um hábito mais natural em nós que alimentarmo-nos.

Temos tantos hábitos! E raros somos os que temos o hábito da prece várias vezes ao dia. Pior ainda os vícios que se alastram pelo mundo: cigarro, bebida, roupas, sapatos, alimentação, e mais uma imensidão deles. Se pegarmos um desses vícios (para quem tem mais de um, o que não é raro, infelizmente) e substituirmos pela prece, não seria maravilhoso? Quem quer parar de fumar, por exemplo, em vez de comprar aquelas pastilhas que ajudam a diminuir a necessidade de tabaco, fazer uma oração pedindo à Deus que lhe dê forças para deixar o vício e para desintoxicar o organismo. Logo, logo a prece toma o lugar do cigarro, e em vez de poluirmos e estragarmos nosso corpo, estaremos alimentando nossa alma de Deus! Muito melhor!

Podemos extender isso à todos os nossos vícios, morais e materiais, e aos poucos ficaremos mais e mais “viciados” em Deus.

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2 comentários sobre “Alimentar-se de Oração

  1. gostei muito deste texto, me fez refletir, pois muitas vezes eu penso que como estou sempre em busca da espiritualidade, do autoconhecimento, que não é necessário rezar, mas uma boa prece faz muita diferença da vida da pessoa. Eu particulamente prefiro rezar para agradecer, pois é um ato de humildade, onde tu reconhece que a tua vida está muito ligada com Deus, e que não é tudo por causa das tuas atitudes, muitas vezes tem um “dedinho” de Deus te dando um empurrãozinho.
    Adorei teu blog, tu deve ser uma pessoa muito especial, no twitter mesmo já tinha percebido!
    Beijos

  2. Olá Silvano. :)

    Se vc gostou desse texto, vc iria gostar então do livro que estou lendo nesse momento, que “por acaso” aprofunda muito o que tinha no livro de Amélia Rodrigues. É o “A Roca e o Calmo Pensar” de Gandhi. Nesse livro ele fala só sobre a oração, e em como ele era absolutamente dependente da oração para viver, de como ele necessitava mesmo de estar constantemente se alimentando de Deus. E em várias passagens ele friza que nós precisamos mais de oração do que de alimento, como nessa aqui:

    “Nessa altura percebi que, do mesmo modo que a comida é indispensável ao corpo, a oração é indispensável à alma. Na verdade o alimento não é tão necessário ao físico como a prece é necessária à alma. Pois o jejum é, com frequência, necessário para manter a saúde física, mas não existe o jejum de oração. Não é possível uma repleçãp, um excesso de preces”.

    O livro é mesmo maravilhoso, tenho certeza que vc vai gostar, e me deixou impressionada mesmo com a superioridade espiritual de Gandhi. Eu sabia que ele era um espírito superior, mas confesso que não imaginava que era tanto! Totalmente e incondicionalmente entregue à Deus e à Vontade Deus, independente do que isso significasse de sacrifício para si. Um exemplo para nós como poucos, sem dúvidas.

    Quanto à eu ser especial, não meu amigo. Juro que sou mesmo a pessoa mais normal do mundo, de verdade. Só mais uma filha de Deus em luta na Terra, que todos os dias precisa se vigiar constantemente para não viver e pensar diferente do que sabe que é o evangelicamente certo. Luto muito contra minhas mazelas, que acredite, são muitas.

    E para terminar esse comentário que já está grande, deixo uma frase desse mesmo livro do Gandhi, que penso, encerra o que vc disse sobre o “empurrãozinho de Deus” na nossa vida. :)

    “Toda manhã eu me sento para descobrir o que Deus quer de mim e para saber se estou pronto a obedecer à Sua Vontade. Se puder ser absolutamente obediente, Ele atuará através de mim”.

    Penso que Deus tenta, mais que imaginamos, atuar através de nós, dando-nos todos os dias, a chance de sermos Seus agentes diretos no mundo. E esse é um dos motivos mais importantes de orarmos, na minha opinião. Nos colocarmos à disposição de Nosso Pai, para que Ele atue diretamente na Terra, ao mesmo tempo que nos dá a chance de evoluirmos, trabalhando para e por Ele. Claro que Ele poderia atuar diretamente, mas então Ele nos teria criado para a ociosidade, já que faria diretamente justo o trabalho que nos dá a chance de evoluirmos incessantemente. Com isso imagino que uma das melhores formas de orar, é amar, porque é através do amor que nos ligamos mais intensamente à Deus. Além de orarmos para nos alimentarmos de Deus, temos também que orar para tentarmos *sentir* qual a Vontade Dele. Como a vontade Dele é toda de amor, misericórdia e bondade, se amamos, perdoamos e somos bons, estamos, de alguma forma, permitimos que Ele se sirva de nós…

    Abraços e obrigada pela visita! :)

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