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Escolhendo Deus

07/02/2011

Quando venho para o trabalho todos os dias passo por baixo de um viaduto onde há uma frase pichada: “Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos”. Isso me fez refletir na cultura religiosa que há sobre “as escolhas de Deus” por determinados filhos. Em muitos lugares vemos expresso essa idéia de que Deus, por algum motivo, escolhe esses ou aqueles filhos para receberem bênçãos que à outros são negadas.

E se ollharmos de forma superficial para a Vida, podemos até ter a impressão de que esse pensamento é válido, mas se aprofundarmos nosso olhar, veremos que não, que Deus não escolhe seus melhores ou piores filhos, que Ele não é parcial ou mais ou menos para uns ou para outros. Que Deus Ele seria se escolhesse filhos? Que Pai Ele seria se desse à uns bênçãos e à outros não desse nada?

Penso que a forma aparentemente injusta ou parcial como recebemos as bênçãos de Deus está *em nós* e não Nele. Penso que todos somos escolhidos, porém nem todos aceitamos ir com Ele no mesmo tempo. Cada um tem seu tempo, e mesmo para aqueles que ainda não *se escolheram*, Deus dá muitas bênçãos, constantes convites, infinitas oportunidades e uma paciência sem fim.

Como na parábola do Filho Pródigo às vezes achamos injusta a forma como Deus lida conosco, como quando o filho bom da parábola acha injusto quando aparentemente Deus dá ao filho transviado mais do que è ele  que já estava à Seu lado. Quem escolhe estar com Deus é abençoado todos os dias, e sua vida é tão cheia de bênçãos (espirituais, íntimas, não necessariamente materiais, como muitos de nós ainda confundimos) que as bênçãos passam a ser o natural, o cotidiano, não mais um evento especial. Elas fazem tão parte da nossa vida íntima, que ao vermos alguém que nada tinha e recebe um pouco, pensamos como o filho da parábola, que Deus está dando mais à uns que à outros, ou que está dando mais à quem nem merece, e momentaneamente nos cegamos às bênçãos sem fim que recebemos todos os dias e já fazem parte de nossa alma.

Mas não é assim… Deus dá igualmente à todos, mas nós temos que aprender a receber, nós temos que nos esforçar diária e constantemente para estarmos sempre com Ele, todo o tempo recebendo suas bênçãos e seu Infinito Amor. Somos sempre nós que bloqueamos o acesso à Ele, nunca o contrário. Na verdade Deus tenta todo o tempo, das formas mais diversas, abrir passagem até nosso coração. Às vezes Ele é direto, geralmente quando estamos tão caídos que nossa soberba já não vale nada e então, no auge do sofrimento buscamos Ele e Ele nos responde. Às vezes Ele é discreto justamente para não ferir nosso orgulho, que inflado, nos faz achar que todo nosso sucesso e sorte são frutos apenas de nossa capacidade e astúcia. Ele deixa que aprendamos por nós mesmos que sem Ele nada somos. Deixa que, cansados dos sofrimentos decorrentes das consequências de nossas próprias escolhas, nós O busquemos definitivamente, e é nisso que reside nosso maior mérito.

Portanto, Deus não escolhe seus filhos, somos para Ele tão amados e importantes como os Anjos já Iluminados. Somos para Ele os mesmos amaríssimos filhos desde a criação até a eternidade. Todos nós, sem excessões, somos abençoados todos os dias, embora nem sempre possamos compreender as bênçãos que recebemos. Nós que decidimos o dia que O escolheremos como Guia, como Companhia constante, como Inspiração, Motivação, Meta, Esperança, Amigo e Pai…

Cabe à nós aceitarmos seus inúmeros e constantes convites, cabe à nós aceitarmos enfim, sentimos Seu Imenso e Infinito Amor por nós…

Ele já É nosso Pai,  nós é estamos aprendendo a sermos Seus filhos…

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7 Comentários leave one →
  1. 07/02/2011 10:13

    Lindo texto, Lu. Até me animei um pouco mais nessa segunda-feira difícil. Sempre cobramos tanto de Deus, mas poucas vezes realmente O escolhemos, né?!

    Grande abraço!

  2. 07/02/2011 10:18

    Que saudade dos seus posts Luciana

    eu gostei muito do texto! Não sou adepto dessa frase também…

    o único ponto que merece uma reflexão eu acho que é o do fanatismo

    no ato de escolher… as vezes eu percebo um lance mais ou menos assim…

    -Eu escolhi Deus pra ser meu e todos outros que não estão comigo são meus inimigos, afinal: “Se Deus é por nós quem será contra nós?”

    como lidar com isso?

    Bjuuus

    =]

  3. Luciana Luz permalink*
    07/02/2011 13:23

    Pois é, amiga, cobramos muito de Deus e pouco de nós mesmos, quando quase sempre Deus está é nos “salvando de nós mesmos”. :)
    Um beijo linda! :)

  4. Luciana Luz permalink*
    07/02/2011 13:28

    Boa reflexão, End! :)
    Penso que quem verdadeiramente escolhe Deus passa a ver todos como irmãos que merecem as mesmas bênçãos, o mesmo amor e a mesma atenção Paterna. Se ainda vemos inimigos nos nossos irmãos, é porque ainda não escolhemos Deus de verdade. Quando escolhemos Deus de verdade, podemos ter inimigos, mas não conseguimos mais ser inimigos de ninguém, e nem achar que merecemos mais do que qualquer outro ser. Não há como estar com Deus sem estar com toda criação. :)

    Abraços! :)

  5. 07/02/2011 13:40

    Vlw Lu!

    por responder o comentário, pelo conhecimento para ser agregado =]

    Deus está e é todas as coisas!

    Bjuuus

    =]

  6. Rafael Perszel permalink
    08/02/2011 6:45

    Parabéns pela postagem, minha irmãzinha! Perfeito!
    Não concordo em nada também com este dito infeliz que se tornou popular, como se Deus fizesse seleção de pessoas!

  7. Luciana Luz permalink*
    08/02/2011 8:14

    Obrigada, meu irmão, pelo elogio e pela visita! :)
    Abração pra ti! :)

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