Reino de Deus em Nós


Ando refletindo muito sobre uma passagem do livro “Luz do Mundo” de Amélia Rodrigues, psicografia de Divaldo P. Franco. A passagem é a seguinte:

” – O Reino de Deus – concluiu o Mestre – está dentro de cada um que o deseje. Não é trabalho externo, antes resultado do excelente labor anônimo e sacrificial nas noites de silêncio, nos dias de angústia e dor libertadora. Ninguém o verá, e esse herói, aquele que o conseguir realizar, não receberá aplauso, passando entre os homens desconsiderado, incompreendido, malsinado, todavia em paz consigo mesmo e em harmonia com Deus…”.

Achei tão perfeita essa colocação! De uma sabedoria e profundidade tão grande! Geralmente temos a ilusão de que aqueles que se destacam no trabalho externo é que estão caminhando no Reino de Deus… Mas quem pode julgar o íntimo das pessoas? Até que ponto o trabalho externo é resultado do amor? Quem pode julgar se uma pessoa que se destaca entre as demais no labor evangélico, vive intimamente tal qual um verdadeiro seguidor do Cristo? Ninguém pode julgar isso além de Deus…

Muitas vezes aqueles que se destacam menos são justo os que mais paz íntima possuem. Muitas vezes alguém que sequer faz algum trabalho evangélico, está mais em harmonia consigo mesmo e com Deus do que um que se diz cristão. E isso nem é raro. Achei interessante a observação da passagem quando destaca-se que o Reino de Deus é conquista íntima, não externa. Que conquistamos o Reino de Deus após laboriar muito dentro de nós mesmos, de sofrermos todas as dores do autoconhecimento e auto-burilamento. É também sofrendo as consequências dos nossos atos, nos reajustando diante das Leis de Deus, e encontrando assim a paz da consciência livre.

Dói… Dói muito encontrar dentro de nós o Reino de Deus. É preciso dores atrozes, solidões escuras onde apenas o Mestre nos acompanha, para que reconheçamos Seu Augusto Amor, e solidifiquemos a nossa Fé e União com Ele. É na dor soberana que encontramos o Reino de Deus, aquele lugar indubitavelmente seguro dentro de nós, onde encontramos a paz. Uma paz que é só nossa, fruto da libertação da consciência e da reconquista de si mesmo. Uma paz que não foi dada, que não foi encontrada em templos, livros ou teorias, mas conquistada à custa de muito sofrimento, das provações mais singulares e penosas, de ter a alma inteira destruída e refeita. A força que vem dessa paz é inabalável, porque é resultado da união definitiva entre criatura e Criador. Haja o que houver, o Reino de Deus está estabelecido no nosso coração, e a Paz reina mesmo na tempestade…

Tal qual uma frase que li uma vez no livro “Paulo e Estevão”, numa ocasião em que Paulo é apedrejado sentindo aquela paz angélica e confiança irrestrita em Deus. Achei-a perfeita para descrever o encontro com o Reino de Deus: “Na prova rude e dolorosa, compreendeu, alegremente, que havia atingido a região de paz divina, no mundo interior, que Deus concede a seus filhos depois das lutas acerbas e incessantes, por eles mantidas na conquista de si mesmos”.

Tem um momento da luta que os golpes já não surtem mais efeito, não porque não doam, mas porque estamos em paz. A segurança do Reino de Deus não nos permite temer ou revoltar, só nos permite confiar e prosseguir com Deus.

Penso que o trabalho externo acaba sendo consequência dessa conquista, não meio de conquistar. Há muitos de nós que buscam o trabalho externo afim de conquistar o Reino de Deus pelo “meio mais fácil”, mas com o passar dos anos, as experiências da vida vão nos ensinando que o meio mais fácil é aquele que julgamos mais difícil…

Não sou defensora do sofrimento, mas tenho que admitir que ele é um meio muito eficaz para encontrarmos Deus e a paz… Tenho que admitir a sabedoria de Deus ao permitir nosso sofrimento em determinado ponto da caminhada afim de nos conduzir à Seu Reino. Um sofrimento que só existe até que O encontremos dentro de nós… Depois que encontramos o Reino de Deus, não somos mais capazes de sofrer as dores que nos levaram àquele ponto de Encontro, justamente porque O encontramos. Os sofrimentos se modificam, mas todos são enfrentados com Paz e Harmonia com Deus.

Por tudo isso ando pensando muito naquela passagem… Na ilusão que temos de ver o exterior e julgar coisas e situações que apenas Deus é capaz de julgar. Nem sempre o exterior é reflexo do interior, e nem sempre alguém que prega a paz vive em paz. Da mesma forma que nem sempre aquele que julgamos o último, está perdido… Talvez estejamos mais perdidos que ele no fim…

Isso foi só uma breve reflexão pessoal, portanto desculpem se o texto estiver um tanto reflexivo demais e com lógica de menos… :)

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